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Miguel Sarkis: a Maratona de Sao Paulo 2011 
Obstáculos naturais tornam esta prova dificílima, exigindo inteligência e muito treinamento. Os números dos concluintes comprovam esta afirmação
23/06/2011 10:20  | Por Miguel Sarkis  falecom@miguelsarkis.com.br 
 
foto: daniel segundos - ativo.com

Como havia previsto e observado, diante das constantes variações climáticas, além da atuação massiva da imprensa para tal evento, os 42 km mais difíceis do mundo talvez sejam os da maratona da Cidade de São Paulo. O glamour, o participante pouco esclarecido e a temperatura tornam este evento o mais bombástico do mundo.

Justificativas dizem respeito a sua altimetria nada fácil, além dos buracos, as irregularidades no asfalto e a poluição do ar, que fazem da maratona de São Paulo um evento para poucos, facilmente constatado pelo número de concluintes e, diga-se de passagem, uma grande quantidade deles em tempos acima das 4h30min (1085 homens, ou 40%).

Dos 2705 finalizantes masculinos, 1620 terminaram abaixo das 4h30 ou 60%. São 20% dentro de 3horas de prova. Somente 962 corredores fizeram antes das 4h ou 35%. Do total de finalizantes, 627 corredores terminaram entre 5h e 5h30, ou 25%. Ainda sobre esses participantes, 151 corredores terminaram com mais de 5h30min. O último levou 6h42min57s, apesar da idade elevada, mostra a difícil tarefa que encontram neste evento.

Nada absurdo, não fosse pela expressão de dor marcada na figura facial de cada corredor ao aproximar-se da chegada. É fato que se destacavam os que estavam muito bem, porém, não vale a pena ficar escondendo o que é necessário que se diga. É fato que muitos deles poderiam ter terminado muito melhor, teriam economizado tempo de “estaleiro”, quando a recuperação demorada deve mantê-los por longo tempo afastados dos treinamentos, sem esquecer que alguns mais ousados poderão somar lesões irrecuperáveis para a sua idade posterior.

Vamos ao que interessa.

Sem dúvida, quanto maior o grau de dificuldade, menor é a distância dos problemas para o atleta participante. Ao largar na maratona, a temperatura fria e umidade baixa, com um novo recorde do ano, reforçam esta prova como de “alta dificuldade” por provocar grande perda de suor e, junto dele, os imprescindíveis sais minerais que deveriam manter o metabolismo do atleta mais equilibrado.

Até ai, não temos segredo, falta saber se a maioria dos corredores que chega acima das quatro horas sabia destes detalhes e se eles se alimentaram e hidrataram corretamente, além de terem treinado adequadamente no período necessário para uma corrida que exige não 100%, mas 101% de condicionamento físico.

Para participar de um evento destes é necessário “convidar dois parceiros” imprescindíveis, são eles, o alto nível de condicionamento físico e a estratégia de corrida.

Correr uma prova desta, para a grande maioria dos finalizantes da prova de domingo (entre 4 e 6h42), que equivale a 1.742 corredores ou 68%, é necessária uma estratégia do tipo ritmo constantemente inalterado. Para os outros que ocupam a primeira parte dos finalizantes, ou seja, para os corredores que chegaram com os tempos de até 4horas, ou 963 corredores, deveriam adotar uma estratégia de sair lento e desenvolver ritmo progressivo, a partir dos 15 a 21 km de prova.

Alguns corredores certamente fizeram a primeira parte igual a segunda e, alguns, a primeira parte mais lenta que a segunda, finalizando com tempos ótimos, como os casos dos 20 primeiros colocados na classificação geral da maratona masculina.

Para as mulheres, a avaliação fica por conta de um número ainda baixo de participantes, e que para as 70 primeiras colocadas os tempos variaram até 4horas de prova. Numa análise do total de 341 finalizantes, destacam-se 70, ou 19.5%, abaixo das 4 horas, enquanto somente as 8 primeiras chegaram abaixo das 3 horas e que representam as corredoras de elite.

Não preciso dizer que a hidratação talvez seja a prática mais difícil entre os corredores. Além dos cuidados de hidratar-se com Gatorade e água, alimentar-se de carboidratos em espaços de aproximadamente 40 e 60 minutos de prova, repetidamente, ou aos cuidados de seus nutricionistas.

Estes cuidados são, na verdade, amenizadores das dores e dos transtornos que os atletas experimentam ao participar de tais provas. Quem não as sentiu?

Mágica nenhuma, mas, cuidados técnicos para permitir que os atletas, amadores e profissionais, tenham uma corrida mais salutar. E sempre desejo que a retomada dos treinos não fique para aproxima semana e ou para o próximo mês.

Tenham ótimas retomadas dos treinos.

Você tem dúvida sobre seus treinos de Corrida, equipamentos ou provas? Mande sua pergunta para ativoresponde@ativo.com que Miguel Sarkis poderá respondê-la!


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Colunista:  
Miguel Sarkis, é Personal Trainer há 33 anos, com Certificação Técnica de Atletismo pela IAAF; Formação para Técnico em Atletismo; Especialização em Obesidade, Cardiopatas e Idosos; Desenvolve programa de qualidade de vida para pessoas de baixa renda na USP Leste (projeto Periferia Legal),  e é autor do Livro: A Construção do Corredor – Editora Gente. Para acompanhar Miguel Sarkis: http://blog.miguelsarkis.com.br/
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