Perceber para não se perder
Tudo o que um corredor deseja na vida é correr mais rápido. Correr por muitos quilômetros, emagrecer, aumentar a massa magra, perceber e ser percebido!
Você pode imaginar que a corrida, circunstancialmente, pode ser uma prática esportiva que induz as pessoas a ilusões de seus objetivos mais óbvios?
Como assim? Ela corre e como objetivo quer emagrecer, tornar-se mais veloz, mais resistente, e não percebe a existência de uma “cortina ilusória” que a transforma e, apesar de correr muito, correr rápido e por vários anos, não consegue atingir os objetivos que pensa tê-los sob seu domínio.
Uma autosabotagem? Um desconhecimento das regras? Uma ilusão do que se tem que realizar?
Maior parte de nossas ações são realizadas de forma inconsciente. Por outro lado, algumas ações humanas são movidas, muitas vezes, pelo estresse. A continuidade da prática se dá pela produção e ação dos hormônios. No caso específico da corrida, os hormônios proporcionam sensações de ilimitados esforços e prazer, apesar da intensidade e da periodicidade da prática da corrida.
É o prazer também, que nos permite manter uma rotina de corrida por 10, 20, 30 ou mais anos de nossas vidas. Como eu, que completo neste ano de 2010, o meu 35º ano de corrida. Outros corredores devem ter atingido algo em torno dessa marca, e até mais.
Como uma pessoa que está com um objetivo tão aparentemente claro pode continuar a ser lenta ou obesa e às vezes pouco resistente?
Fato é que, quanto mais se pratica, mais se quer praticar. Por outro lado, quanto mais rápido, mais rápido desejamos nos tornar e não nos importamos, nem mesmo com a lógica e ordem dessas atividades, quando algumas ações são especialmente fantasiadas por emoções.
A pessoa entra para um treinamento e vê a sua frente sua escrivaninha, seu chefe, a crise que abalou o mundo, a pessoa que deseja, ou outras situações que, ao invés de praticar a atividade coerente, pratica o “ataque” ao problema. Seu treinamento, naquele dia, será como uma desforra. Seu corpo aguentará?
A ilusão a que me refiro se resume no simples fato de pensarmos que somos capazes e algumas pessoas acham, às vezes, que as muitas realizações são poucas. Para alguns casos, em especial, o pouco já é bastante. Às vezes entramos em corridas por simples impulso. Estamos iludidos pela fantasia de que é possível!
Sim, é possível, assim como sempre preconizei que é possível, a qualquer pessoa saudável, correr provas, porém, e dada as circunstâncias de vidas da maioria das pessoas, é um tanto imprudente entrar em eventos competitivos sem os treinamentos mínimos de seis meses para as provas mais curtas.
Enganar-se para não ter que mudar é uma autosabotagem que nos inferioriza, sem percebermos que tal atitude nos manterá, quase sempre, dentro de um casulo sólido de emoções e atitudes estereotipadas.
Alimento demais é Demais
Lembro que cada pessoa necessita de uma quantidade diária de calorias, somente para viver. É corriqueiro acontecer de pessoas que procuram a corrida ou tem um objetivo de transformar-se em corredor ou tentar se tornar “O Saudável” e, até mesmo, tentar eliminar quilos e quilos de seu corpo, se deparar com a verdadeira realidade.
Ele entrou no parque ou academia, olhou ao seu redor e imaginou um treino. Ah! Preciso queimar muita caloria, então, corre por mais de uma hora, exaustivamente, depois, entra na lanchonete ou padaria e come, assuntosamente, tudo que lhe parecer saudável. Afinal, queimou muita caloria e pode ter a tranquilidade de ingerir um montão delas. Talvez, para que a matemática desse certo, ele precisasse se conhecer mais e isso só se dará pelo trabalho de um profissional.
Só para ilustrar. Num treino de corrida moderada por uma hora é possível gastar até 600 calorias (equivalente a 6 bombons). É muito pouco, pelo que se pode ingerir após um treino destes. E para os iniciantes que podem eliminar, com muita sorte, o equivalente a 300 calorias. Então, serão apenas 3 bombons. Sabemos que muitas pessoas ingerem, facilmente 10 bombons (1000 calorias), então, vamos aos cálculos, sempre.
Numa pizzaria, você costuma comer a borda da pizza? Se não, eu pergunto: Por que? Saiba que entre a massa (carboidrato) é a borda e a base da pizza. A gordura está, geralmente, no queijo, azeite, presunto e demais recheios. Solução: engorda menos comer a borda do que o recheio. Então mudemos nosso foco para; gordura no organismo é mais difícil de transformar em energia para o corredor. Carboidrato é muito mais rápido e fácil de ser queimado durante atividade de corrida.
Vivendo com o improvável
Todos os dias, aquele sujeito mantinha sua dieta nos mesmos moldes alimentares, da mesma maneira e nas mesmas quantidades. Seu corpo já se apresentava além dos limites da obesidade. Seu anseio por melhorar de vida o conduziu para a caminhada e, mais tarde, para a corrida. Sem perceber, e após alguns meses, o mesmo estava obeso e não entendia o porquê da persistência daquelas gorduras indesejadas, apesar das infinitas horas caminhadas e corridas.
Sem perceber, ele mantinha, exatamente, o que o seu subconsciente desejava. Sendo assim, ele se permanecia firme nos caminhos estereotipados de sua vida. Mas, se ele desejava tanto se ver livre desta sequência de vida, por que não mudava?
Foram alguns meses de persistências e orientações de seu treinador que foi permitindo, aos poucos, visualizar as mudanças que se fizeram alcançar na sua estrutura corporal. Ele de fato emagreceu. Hoje, mais consciente, menos iludido com as possibilidades pouco remotas que a corrida pode oferecer aos seus praticantes. Então, corrida e dieta bem feita, resultado na certa.
Diminuídos os limites corporais, suas roupas em tamanho menor, este sujeito tem hoje como claro, todos os caminhos possíveis para continuar a manter seu corpo, conforme o desejado.
Num esforço desmedido, o que vale é a sorte. Feidípides nos prova o que diz o assunto.
Feidipides, como muitos sabem, trata-se do soldado Ateniense que percorreu 40 km da planície de Maratona a Atenas com a finalidade de anunciar a vitória dos Gregos sob os Persas. No entanto, ele finalizou sua gloriosa jornada anunciando a vitória e faleceu.
Claro que não há surpresa para tal fato, simplesmente ele não reunia condições físicas para tal feito. Exemplo da história, vamos ver um mais atual.
Hoje o mundo das maratonas e corrida nos mostra que há ainda muitos soldados bravos e destemidos, porém, num mundo tão hightech, é impossível não obtermos respaldos e conhecimentos para avançar em nossos treinamentos, de forma segura, sejamos magros, obesos, lentos ou rápidos, homens, mulheres, idosos ou jovens.
Aprendizado é o melhor caminho para se atingir os objetivos para caminhar, ou correr, correr mais rápido, mais longo, emagrecer, aumentar a massa muscular, e melhorar a qualidade de vida.
Pela ordem, a melhora está na lógica de aprendizado, assimilação da carga por etapas sequenciais, manter as práticas de exercícios, apesar das férias, praticar um modelo de dieta compatível com cada um e, por fim, saber reconhecer quando deve avançar e ou descansar.
Bons treinos conscientes.
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