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Miguel Sarkis: plano de corrida - 3ª parte 
Na 3ª parte da sequência de artigos, o treinador Miguel Sarkis continua com suas dicas para um plano de corrida eficiente, principalmente nesta fase do ano.
22/12/2011 08:59  | Por Miguel Sarkis  falecom@miguelsarkis.com.br 
 
foto: ivan padovani - ativo.com

A corrida no período Competitivo

Por uma questão emocional e profissional, parece que quase todos os corredores se encontram nesta fase, o ano inteiro, e talvez seja esse o motivo da grande quantidade de pessoas lesadas, tratando-se em clinicas e hospitais do Brasil e do mundo.

Correr na fase competitiva é uma das tarefas mais difíceis para os corredores. Utilizando um exemplo meu, para melhor explicar, quando fui atleta de elite, com 1h09min para a prova de Meia Maratona e 2h35min para a prova de Maratona, acreditem, gostava muito de permanecer em velocidade alta. Não gostava de retomar treinamentos mais leves, salvo quando comecei a amadurecer e focar os treinos, como alavancas para melhorar ainda mais os meus resultados.

Os períodos transitórios e de Base são períodos regenerativos e devem ser retomados cada vez que passamos por um evento de grande desgaste e/ou por alguns principais, de menores distâncias, e que tenham requerido maior consumo de energia e desgaste emocional. Evolui e realizei a prova de 5 km em 14´35” e os 10 km em 30´40”. Tempos bons para a época e só não evolui ainda mais por que desisti da carreira de alto rendimento.

O raciocínio para a elaboração de treinamento para amadores segue uma lógica semelhante, imperando as cargas especificas e possíveis para cada corredor, dependendo do seu nível de condicionamento físico, alcançado pelo treinamento, e da sua disponibilidade de tempo e descanso para tais treinos. Dentro deste raciocínio, é melhor programar os treinos com a ajuda de médicos e do profissional do esporte.

O período competitivo, quando bem elaborado, deverá permitir o maior esforço e a intensidade maior para as provas escolhidas, além de que, as intensidades dos treinos também passarão por super estímulos e respostas. Sendo assim, o Período Competitivo deve ser o menor deles, duração máxima de quatro semanas (esta é uma decisão inquestionável e cientificamente comprovada), e seus treinos serão os mais eficientes em termos de velocidade sustentada e melhora dos recordes. Se assim se cumprir, será a certeza de que seus planos foram coroados por êxitos plenos.

Um corredor Olímpico só sabe se a sua periodização deu certo caso ganhe uma das provas, melhore seu recorde e assim por diante. Agora falando de nosso caso, sua certeza será: cumprir a maratona ou provas de diversas distâncias em estado ótimo de saúde, e seus resultados forem os melhores até então, isto se as condições climáticas e das circunstâncias diversas de viagens e alimentação permitirem a obtenção dos resultados esperados.

Para durar apenas 4 semanas

Os treinamentos do Período Competitivo devem ser focados, exclusivamente, para se obter os resultados almejados, ou seja, os tempos de treinos específicos, tiros e ritmos, devem ser realizados em velocidades parecidas com o que se deseja obter na prova escolhida. Para a prova dos 10 e 15 km, os tiros mais focados em distâncias entre 500 e 1 km melhoram as velocidades dos corredores amadores.

As distâncias maiores podem ser utilizadas por corredores já mais amadurecidos e com condições de recuperação maior, o que permitirá realizar os tiros e ritmos, podendo se repetir nova série, na semana seguinte, durante as quatro semanas que se seguirão.

Assim, treino e corredor seguem seus cursos, sem se confrontarem, e demonstram harmonia. Para um treinamento pouco resolvido, os corredores sentem dores e os treinos propostos serão mal executados, o que demonstra inexatidão entre o escolhido e os realizado.

Corridas Curtas 10 e 15 km

Se sua periodização de treino objetivar os 10 e 15 km, certamente os treinos se fixarão em distâncias que permitam o aprimoramento da velocidade de resistência, que é a que lhe interessa, e aproximará a velocidade compatível, sem sentir muito o desgaste do treino. Conclui-se que os treinos específicos são responsáveis pela coerência e a melhora dos resultados, então: treinar muito e fora do horário da prova pode não surtir bons resultados, como: não ter pernas para terminar no tempo desejado, levando-nos a pensar que não adiantará treinar menos e durante a sua maratona e não conseguir segurar a velocidade proposta para tal.

Treinos curtos e médios, em repetições de até 15 vezes, atingidos durante os quatro meses que antecedem o período Competitivo, podem aumentar a sua resistência especifica para tais provas. Mas lembre-se, só realize treinos tão longos e exigentes se você estiver com mais de três anos de treinos ininterruptos, e já com certo domínio de ritmo.

Bons Treinos.

Você tem dúvida sobre seus treinos de Corrida, equipamentos ou provas? Mande sua pergunta para ativoresponde@ativo.com que Miguel Sarkis poderá respondê-la!


 


 

 

 
Colunista:  
Miguel Sarkis, é Personal Trainer há 33 anos, com Certificação Técnica de Atletismo pela IAAF; Formação para Técnico em Atletismo; Especialização em Obesidade, Cardiopatas e Idosos; Desenvolve programa de qualidade de vida para pessoas de baixa renda na USP Leste (projeto Periferia Legal),  e é autor do Livro: A Construção do Corredor – Editora Gente. Para acompanhar Miguel Sarkis: http://blog.miguelsarkis.com.br/
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