A Corrida está em nossa vida, assim como nossa vida está na corrida. Houve um tempo em que correr atrás do almoço era um problema de sobrevivência, porém, hoje, correr para eliminar o almoço, é uma questão de sobrevivência.
Filosofias a parte, a questão é que Corremos e queremos, sempre, correr mais e mais rápido. Mas, onde está o limite para tal? Quanto correr para que possamos fazer resultados e conquistar saúde?
Correr a quilometragem desejada, não pode ser sempre, a quilometragem mais apropriada. Por isso, os testes definirão as distâncias, e o tempo de treino definirá velocidades destas corridas.
Anteriormente, escrevi sobre as velocidades de cada corredor e como proceder diante de provas. Agora, a velocidade e a distância em treinos, leva-nos a pensar em quão rápido podemos e devemos correr e em qual velocidade prosseguir. Outro critério muito importante para se definir distâncias e velocidades está na resposta do exercício em nosso bem estar (resultado observado através da tabela da qualidade de vida de minha autoria).
Como podemos acreditar que as distâncias são apropriadas, se depois de realizá-las nos sentimos exaustos e com dores por todo o corpo?
Para tal, firmaremos o passo em freqüência cardíaca de início, meio e fim de treinos. Para os treinamentos longos precisamos comparar quão distante são nossas provas, quão velozes precisamos ser e se tudo isto trará resultados positivos.
Trocando em miúdos:
Gráfico das condutas
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Objetivos
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Tempo de treino |
Ritmo Fácil |
Ritmo Médio |
Ritmo forte |
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Somente Q.V. * |
Alguns meses |
10min/ km |
9,30min/km |
8,30min/km |
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Provas até 5km |
Entre 6 e 12 meses |
8:00min/km |
7,30min/km |
6´50 a 6´00/km |
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Provas até 15km |
12 meses acima |
7´00/km |
6´00/km |
5´50/km |
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Provas acima de 15km |
Acima dos 4 anos |
6´00/km |
5´00/km |
4´40/km |
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Ultramaratona |
Acima dos 10 anos, ou |
Indefinido |
indefinido |
indefinido |
*
= Q.V. qualidade de vida
Explicando o Gráfico Anterior
Caro Corredor, se você tem como objetivo, somente a qualidade de vida, ou seja, viver melhor, então você não tem necessidade de aumentar, indiscriminadamente, a distância e nem tão pouco, a velocidade de seus treinos, porém, faz-se necessário alternar esforços com outras modalidades, exercícios localizados e equilibrar com os afazeres do seu dia a dia.
O Corredor que já consegue desenvolver uma velocidade constante sem, no entanto, se esfalfar e nem terminar muito dolorido, então poderá fazer algumas participações em provas mais curtas, mas não com o intuito de terminá-la mais rápido, mas sim, se favorecer de menor distância e então, menor sofrimento para o corpo, ainda pouco trabalhado.
A experiência nos provém da maturidade espiritual e fisiológica. Por que não, brindar com esforços maiores? Temos como marca registrada em nossos códigos genéticos, o necessário aumento de esforço, cada vez mais e mais, a medida que nos adaptamos, para esforços maiores, porém, não desmedidos.
Correr provas maiores depende da capacidade física e emocional armazenada e adquirida pelo treinamento de pelo menos 4 ANOS. Depende, também, da GENÉTICA herdada de nossos Pais. Depois de tantos atributos, por que não entrar de sola numa maratona?
Muito bem, para isso, ainda temos a necessidade de observar o ritmo, a distribuição de esforços durante a alimentação, o descanso e demais itens já comentados e que você poderá, sempre, revê-los.
O Corredor que entrar numa ULTRAMARATONA deve ter em mente três coisas básicas: Sua genética DEVE ser especialmente definida para esforços longos, no entanto não deve deixar de prevalecer-se (seu organismo), sobre esforços previstos na prova.
Tem que haver interação entre a carga administrada e a recuperação pretendida e necessariamente prevista. Poucas pessoas no mundo são definidas para realizar provas desta natureza. O melhor caminho para quem desejar esta prova é procurar um fisiologista habilidoso e se prover de exames específicos de ergoespirometria, lactato e demais outros.
Para você definir se deve realizar treinos longos, médios ou curtos e além do mais, em velocidade, fica o seguinte pensamento: Se o organismo humano é tão complexo, porém se cansa e se cansa muito, é necessário que providenciemos treinamentos coerentes, ou seja, se você está envolvido em treinos visando a qualidade de vida, evite se desgastar com treinamentos de alto rendimento, que o nome já diz, é somente para os corredores de alto rendimento.
Se você é um corredor com até 12 meses de treinos, fique envolvido em treinamentos mais curtos, com poucas intensidades, para manter seu organismo em evolução e não ficar sujeito a lesões. Muitos corredores novos de carreira são acometidos por lesões sérias, simplesmente porque não se atentaram para a necessária carga de treino proposta. Ou seja, você faz provas curtas e lentas, por que ainda não soma experiência e resistência maiores, porém, se submete a treinos muito longos e intensos, imaginando que estes farão de você um grande corredor.
Nem sempre é assim, pois, a quantidade de corredores que chega com o resultado mais expressivo. (vide quadros de resultados no segundo capítulo do livro - A Construção do Corredor).
Os corredores mais experientes devem receber orientação para Periodização de seus treinos, com a finalidade de colher resultados mais maduros e se expor a menores índices de lesões.
No mais, treinos longos ou treinos rápidos, tudo uma questão de EXPECIFICIDADE.
Faça uma para você também.
Ótimos treinos Maduros.
Confira os artigos anteriores de Miguel Sarkis:
O pé de um corredor é diferente dos demais.
Corrida e ritmos de treinos x performance.
Você tem condicionamento físico para correr?
A dura tarefa de manter-se condicionado.
Impacto naturalmente saudável para suas pernas.