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Corrida descalça 
Afinal, quanto é possível correr descalço? Ou seriam todas essas teorias de deslocamento natural da espécie, apenas um sonho de longo prazo? Acompanhe
04/05/2012 09:56  | Por Miguel Sarkis  falecom@miguelsarkis.com.br 
 
Foto: Ivan Padovani

A corrida descalçada é uma das atividades mais antigas na terra. E, diga-se de passagem, foi decisiva na perpetuação da espécie humana no planeta.
Há pesquisas científicas em andamento que indicam que homens Australianos corriam há incríveis 45 quilômetros por hora. Isso mesmo, mais veloz que nossos amigos quenianos. Isso limitado há alguns metros, e para fugir ou perseguir alguns animais. Mas, reforçando a sua supremacia sobre os outros animais, parece, pelos vestígios em sítios arqueológicos, ainda na Austrália, que as velocidades dos demais componentes do mesmo grupo podiam variar entre 12 e 25 quilômetros por hora.
Se eles corriam descalços é, certamente, porque os shoppings e lojas especializadas ainda não haviam sido inventados. Sorte deles, porque pesquisas científicas em laboratórios de todo o mundo, dão conta da comprovação e eficiência em se correr descalço, também demonstrando que, correndo sem nada nos pés, esse corredor tem mais chances de evitar impactos em sua ossatura - se comparado calçado com os mais reforçados e tecnológicos calçados do mundo.

Explicação
Para explicar tal façanha, é preciso parte de um raciocínio lógico, que nosso cérebro está prontamente envolvido, e que leva a uma atividade nervosa de equilíbrio. Nossa percepção, pela queda, durante a fase aérea, em uma corrida, fica aguçada e nos leva a amortecer, antes do toque com o solo. Já com o calçado, esperamos o amortecimento, confiando no solado grosso ou fino, aparentemente pela especialização existente em nosso cérebro, determinado a se apoiar em solo mais macio ou mais solto e descompromissado - caso de se saber estar usando um solado macio e grosso. Esta atitude cerebral, remonta dos tempos pré-históricos.
Mas, e nos nossos tempos, como será correr descalço? Correr na USP, na praia, num parque de sua cidade, em quadras, em autoestrada. Isto é possível? Precisamos salientar dois cuidados muito importantes para que a nossa experiência não nos deixe na mão.

Adaptação ao piso deve ser gradual
Correndo com tênis cada vez mais baixos, o corredor permite o retreinamento do cérebro para a função de correr com menos sola e assim, amortecer - solicitações de seu sistema neural - que permitem mobilizar músculos, ou seja, as atitudes técnicas que amortecem mais o impacto, agora sabendo que a sola é menor. Depois de uns meses de readaptação, será a vez de diminuir ainda mais o solado, levando o cérebro a contribuir, ainda mais, com a sua parte nos recursos de amortecimento.
Daí é chegada a hora de correr em piso duro, e com carne mole! Será que agora o problema esta resolvido? Seria só correr descalço, e pronto?
Não é bem assim, pois teremos alguns detalhes dos mais importantes para seguir daqui em diante. Por exemplo, seu corpo, obeso ou magro? Obesos terão problemas para amortecer o que ainda pode ser um problema, pelos pés chatos e pela falta de agilidade técnica do estilo mais confortável de corrida. Então, antes de se aventurar descalço, é necessário ajustar o peso corporal numa medida padrão, ou algo em torno do peso ideal, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).
Depois, verificar o solo em que se propõe a correr, que precisa ser limpo, livre de dejetos animais ou químicos, e sem pedras e corto contusas, como vidros e metais, nem outras sobras da indústria que possa comprometer a sua pele, ou músculos e tendões.

Ordem dos pisos
A corrida numa ordem de percursos planos e lisos, planos e rústicos, planos e mais rústicos, será perfeita? Ou seria melhor aprimorar a corrida já num piso duro e rústico?
É sabido que ai entra uma infinidade de adaptações pessoais que teremos administrar e se for possível, tenha um especialista para cuidar de sua adaptação a este novo estilo de corrida.
Claro que iniciar numa praia, onde a areia se apresente limpas de garrafas quebradas, latinhas de refrigerantes e cervejas, pode ser um local ideal. Não deixe de observar a possibilidade de haver conchinhas que podem cortar seus pés, além dos dejetos de animais que podem trazer outros riscos para sua pele.
Piso plano e duro para começar, depois piso fofo, poderá ser uma escolha mais adequada, antes de você virar um verdadeiro corredor pé descalço.
Depois, poderá correr em gramados, em ruas de terras, em calçadas lisas, em estádios, nas pistas de atletismo, e também, nas calçadas ao seu redor. Nas ciclovias que existem em abundância em todo o País, poderá ser também, um local mais apropriado para tal façanha.
Numa esteira, poderá ser confortável, caso deseje correr sem as possíveis intervenções das cidades modernas.
Depois de passar por todas estas possibilidades, então você poderá correr em locais mais íngremes, subindo e descendo, em curvas e não ter os possíveis problemas de torções e dores indesejadas.

No mais, ótimas corridas e ótimos novos estilos.

 

Você tem dúvida sobre seus treinos de Corrida, equipamentos ou provas? Mande sua pergunta para ativoresponde@ativo.com que Miguel Sarkis poderá respondê-la!

 

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Colunista: Miguel Sarkis 
 

Miguel Sarkis, é Personal Trainer há 33 anos, com Certificação Técnica de Atletismo pela IAAF; Formação para Técnico em Atletismo; Especialização em Obesidade, Cardiopatas e Idosos; Desenvolve programa de qualidade de vida para pessoas de baixa renda na USP Leste (projeto Periferia Legal), e é autor do Livro: A Construção do Corredor – Editora Gente. Para acompanhar Miguel Sarkis: http://blog.miguelsarkis.com.br/.

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