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Repórter Ativo

Jungle Marathon 2015

Há quatro meses, eu decidi que iria em busca de realizar um grande sonho: percorrer os 254 km da mais perigosa prova do planeta, a Jungle Marathon. A partir daí, comecei a buscar por patrocinadores que apoiassem esse projeto, pois os custos de participação de uma prova como essa não são pequenos.

Enquanto procurava por apoiadores, meus longos e duros treinos se iniciavam. Foram dias e dias acordando de madrugada para poder seguir a planilha de treinos, que envolveram exercícios de longa duração carregando mochillas com bastante peso, corridas em trilhas, mata, lama, rios, montanhas e muitas corridas com pés molhados para simular todas as possíveis situações da prova. Consegui duas grandes apoiadoras para a prova: Quality Malhas e Fortime. A partir disso, soube, então, que estava cada vez mais perto de poder realizar meu sonho, participar da Jungle Marathon.

Chegado o dia 28 de setembro, embarquei com destino a Santarém, para enfim, no dia 01 de outubro, desatracar de Alter do Chão em um barco rumo à Comunidade de Prainha, onde tudo iria começar. A viagem até a Comunidade de Prainha foi bastante interessante, pois lá já pude encontrar todos os parceiros na Jungle Marathon, que somavam 53 atletas de 13 nacionalidades diferentes.

Assim que chegamos, crianças que lá vivem nos receberam com cantos, danças e muito entusiasmo. Depois de toda a recepção, fomos montar acampamento. Armamos as redes e arrumamos nossos equipamentos que passariam por uma vistoria. Todos deveriam trazer seus próprios mantimentos, inclusive itens obrigatórios, como remédios. Após toda essa checagem pude aproveitar para conhecer mais desse lugar tão incrível.

No dia seguinte tivemos palestras com a organização sobre a Jungle Marathon, o percurso e todas as regras a serem seguidas. Os médicos também palestraram sobre os perigos que poderíamos encontrar ao longo da prova e como proceder no caso de algum incidente ocorrer. Tivemos contato com cobras, aranhas e formigas da região para saber como reagir caso nos deparássemos com esses animais.

Dia 4 de outubro, primeira etapa: no primeiro dia percorremos 22 quilômetros. Foi um misto de tudo. Pegamos uma subida muito, mas muito íngreme mesmo. O calor ainda causava dificuldade para respirar quando entramos na mata. Apesar disso, estávamos, ainda, todos bem e fortes. Eu, que sou asmático, sofri muito devido às condições climáticas nos três primeiros dias, mas depois me acostumei. Cumpri um desafio que me propus: não usei a bombinha uma única vez.

Dia 5 de outubro, segunda etapa: Foi um dia mais tranquilo, no qual percorremos 24 quilômetros. O percurso era plano, mas os galhos e troncos jogados no chão da selva impediam a corrida. Sofri bastante com o peso da mochila, que pesava ainda nesse dia pesava 19 quilos.

Dia 6 de outubro, terceira etapa: Encaramos o desafio de encarar 37 quilômetros. Consegui deixar a mochila quatro quilos mais leve, pois procurei reduzir pela metade a comida, os remédios, o kit médico e também joguei fora a capa de chuva da rede. Para essa fase, sabíamos que enfrentaríamos um percurso de subidas íngremes e de travessia de rio. Pra mim, foi um dos piores dias, pois o sol castigou muito e um erro de cálculo me deixou desidratado. Depois de passar algumas horas descansando e me recuperando no posto médico, continuei a prova intercalando com 15 minutos de corrida com três de caminhada, para não me desgastar ainda mais com o calor intenso.

Dia 7 de outubro, quarta etapa: Conforme os dias iam passando, o desafio ia aumentando, e esta etapa seria de 42 quilômetros. Larguei com bastante medo por conta do dia anterior, mas para minha surpresa tive o melhor rendimento de toda a Jungle Marathon. Aproximadamente 2,4 quilômetros foram feitos dentro de um igarapé, o que aliviou o calor. O restante do trajeto foi à beira do rio. Foi o único dia que consegui algum contato com a família desde o dia que embarquei.

Dia 8 e 9 de outubro, quinta etapa: Começaria a longa e tão temida fase em que teríamos que cumprir 108 quilômetros. Nessa etapa a prova teve um ponto de corte. Quem não chegasse em determinado ponto até as 15h30min, teria que dormir naquele local e seguir no dia seguinte. Cheguei a tempo no ponto, mas por causa do cansaço optei por dormir ali. Estava bastante desidratado e sentia tonturas. Dos 11 atletas que foram liberados para passar, apenas três chegaram corretamente. Os demais se perderam e acabaram se atrasando. Quando terminei os 108 km foi um alívio. Estava confiante, praticamente comemorando porque no outro dia já seria a última largada.

Dia 10 de outubro, sexta etapa: Foram superados mais 24 quilômetros. Por conta de atletas que se atrasaram na etapa anterior, a largada foi adiada. Só deixei a rede, o mosqueteiro e a água na mochila. O resto, joguei tudo fora para eliminar o peso. Cruzei a linha de chegada da Jungle Marathon na Praia do Maracanã, em Santarém, por volta de 12 h. Quando vi a linha de chegada percebi que era realmente tudo aquilo que eu tinha sonhado um dia. Ergui a bandeira de Santa Catarina numa emoção sem igual. Aquele momento representava a realização de um sonho.

Além da tatuagem que fiz referente à prova, carrego hoje o aprendizado de que não há nada na vida que eu não consiga fazer.

Por Jeferson Luis Prette

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