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Fake news no mundo running: cuidado para não ser outra vítima

Fake news no mundo running: cuidado para não ser outra vítima

Tudo começou na última segunda-feira com a rapidez imposta pela internet.

Se aproveitando da inocência, da frustação alheia e do ego exarcebado em pertencer a uma suposta elite running de “escolhidos, mais uma fake news foi criada. Entretanto, mais do que uma notícia falsa, essa tinha um golpe por trás, , que pode ser enquadrada como crime pela leis brasileira.

A vítimas foram a adidas do Brasil e os milhares de usuários do Facebook e do Instagram. A mentira: um post recrutando novos influenciadores do mundo running com critérios duvidosos. Seguir o perfil @AdidasInfluenciadores; repostar a imagem e ter, no mínimo, 200 seguidores no Instagram. Quem fizesse isso faria parte do sorteio, o qual seriam selecionados 100 influenciadores no dia 25 de agosto.

A parte boa demais da fake news e na qual o desconfiômetro deveria apitar na hora: os selecionados receberiam kits contendo roupas e acessórios da marca por um determinado período. O único trabalho seria usar e postar os looks oferecidos pela marca.

 

fake news adidas
O post fake compartilhado no perfil criado na segunda-feira (20)

 

Era isso, uma imagem simples em preto e branco postada com erros grossos ao olhar comum na forma de “meme” que viralizou na velocidade da disputa de Mo Farah e Bekele ou dos pegas de Hawks e Zach Muller pelas montanhas de San Francisco.

Para muitos que caíram no golpe também houve a quebra de sonhos. Entre as pessoas que compartilharam a notícia falsa, haviam corredores simples e humildes que jamais poderão entrar em uma loja de acessórios esportivos.

Sacada de mestre golpista! Que corredor, com ou sem condições, não gostaria de ser um eleito a representar uma marca que fosse?

Ao bater o olho na imagem e antes mesmo de ler, desconfiei da grafia da logomarca da adidas. Há quase uma década a empresa das três listas passou a usar a grafia “adidas” em caixa-baixa. Ao ler o texto havia várias palavras sem acentuação como “sera”, “recebera”, “minimo” e o dolorido “para estarem nos representando”, me fez ter certeza de que estava diante de uma notícia falsa.

 

Números da fake news e seus desdobramentos

Em apenas 24 horas essa arroba @AdidasInfluenciadores captou 142 mil seguidores, perdendo 12 mil quando a notícia do golpe veio à tona e se estabilizou nos 130 mil antes da morte anunciada do fim da promoção (ou 25 de agosto quando seriam conhecidos os “influenciadores e expansor” eleitos).

Essa fake news e golpe só foram possíveis porque o Instagram permite que o nome da arroba seja alterado. Uma vez atingido o objetivo do golpe, que era conquistar milhares de seguidores, o golpista “zera o perfil”, ou seja, muda o nome do perfil, deleta as fotos, deixa de seguir todas as pessoas e altera novamente o nome da conta. Algo muito parecido, em partes, com a lavagem de dinheiro.

Cabe ao Instagram melhorar essa falha de segurança dando maior credibilidade às contas, evitando que em seu ambiente se propaguem fake news e golpes. Com uma medida simples, parte do problema estaria solucionado.

Já o público leitor deve ficar atento aos sinais como erros de grafia e de gramática. E, principalmente, pela facilidade que se dão as “promoções”, pois não há almoço grátis.

O perfil, com dezenas de milhares de corredores ou simpatizantes reais, daqui uns dias ficará impossível de rastrear e sofrerá uma mutação.

Um novo perfil de “sucesso” surgirá com uma linda moça ou rapaz, educado, sorridente, culto, com suas frases inspiradoras e motivacionais, e virará para agências, quiçá, até para a própria empresa fraudada (sem saber) um motivo de desejo de estreitar uma parceria entre o perfil de sucesso e o team de influenciadores.

Enfim, uma sucessão de erros como nunca antes vista no running brasileiro. Isso mostra tudo o que não queremos no mundo das corridas, que são os golpistas, um ambiente que segrega, que oprime, egocêntrico, manipulador sob o falso manto motivacional – e alimentado por fake news.

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Harry Thomas Jr

Jornalista especializado em corridas de rua desde 1999, Harry competiu pela primeira vez em 1994 e desde então já completou 31 maratonas – sendo três sub 3 horas: São Paulo (2h59min30)... VEJA MAIS

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