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Os 7 erros mais comuns entre os corredores

Foto: Shutterstock

“Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”, dizia o filósofo chinês Confúcio. Assim como na vida, insistir nos mesmos erros nos treinos te impede de alçar voos mais altos na corrida.

O Ativo.com conversou com treinadores de diversas regiões do país para descobrir quais são os 7 erros no treinamento de corrida. Da falta de hábito de trabalhar o fortalecimento muscular aos dias de descanso “atropelados”, os fatores abaixo minam o seu desempenho e, em alguns casos, podem até te afastar da modalidade.

1. Correr sem orientação

Nenhum outro esporte é tão acessível quanto a corrida. Para começar a correr, você só precisa de uma dose de motivação e um par de tênis. Entretanto, correr sem orientação de um profissional da educação física ou de um médico do esporte figura no topo da lista dos vacilos mais cometidos pelos corredores.

“Assim como em qualquer outra atividade física, um dos erros no treinamento de corrida mais comuns é correr sem um profissional habilitado administrando suas cargas”, afirma Anderson Machado, da A2 Sports, assessoria esportiva de Curitiba.

É este item que abre caminho para todos os outros que vêm a seguir – e que acaba castigando o corpo e a cabeça de tanta gente. O último Diagnóstico Nacional do Esporte, pesquisa do Ministério do Esporte que coletou informações sobre práticas esportivas e atividades físicas, aponta que 90,3% dos 33.950 brasileiros consultados praticam esportes sem a supervisão de um instrutor.

2. Disputar uma prova longa sem ter experiência

“A partir do momento em que a corrida se tornou uma ‘moda do bem’, as pessoas se inscrevem em provas de longas distâncias sem ter o lastro muscular e cardiovascular necessário”, aponta João Magalhães, dono de uma assessoria esportiva no Leblon, na zona sul carioca.

Sabe aquele amigo que correu uma prova de 5 km no início do ano e já tem inscrição garantida para uma maratona? Ele é o exemplo emblemático do corredor que pula etapas nos treinos e não respeita a evolução gradual no esporte.

Antes de sair procurando novas distâncias, busque consistência nos trajetos que você faz e tente completar as provas sem tanto sofrimento.

3. Subestimar o descanso 

Thiago Max, treinador da Body Soul Sports, de Brasília, viajou certa vez com um amigo para participar de uma meia-maratona no Rio de Janeiro. No dia anterior à prova, retornou para o hotel onde estava hospedado às 15h, fez uma massagem, aplicou gelo em seu corpo e descansou.

O roteiro do amigo de Thiago na véspera da prova foi diferente. Ele saiu em busca dos destinos turísticos da Cidade Maravilhosa e chegou tarde no hotel. “Ele não respeitou o descanso. Um erro jogou seu planejamento fora. Teve fortes cãibras nas panturrilhas e na coxa”, conclui o treinador. “Muitos esquecem que descansar também faz parte do treinamento.”

“Qualquer bom treinador sabe a importância de uma quebra de treinamento, ou seja, aquele dia em que o aluno não deve nem calçar os tênis. Já perdi as contas de quantos corredores vieram me falar que fizeram um longão no domingo e treinaram tiros ou subidas na segunda-feira”, acrescenta Anderson Machado.

 

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4. Não dosar a velocidade

Segundo Filipe Aragão, da Time Assessoria Esportiva, de Brasília, corredores que não estão vinculados a nenhuma assessoria esportiva costumam correr as mesmas distâncias no mesmo ritmo – uma combinação de fatores que interrompe a evolução. Se você espera progredir na corrida, é preciso mesclar treinos longos com tiros, por exemplo.

E esse não é o único dos erros no treinamento de corrida quando o assunto é a velocidade. “Também há quem se empolgue na largada de uma prova e inicie mais forte do que deveria, talvez tentando entrar no ritmo de algum amigo”, lembra Filipe.

Quem não tem muita experiência na corrida provavelmente já sentiu o baque por ter largado num ritmo muito forte e, no meio do caminho, se arrependeu ao perceber que faltaria fôlego para completar o percurso.

“Saiba correr dentro do seu ritmo e capacidade. Canso de ver nas corridas pessoas andando já no primeiro quilômetro. Outras saem lá na frente tentando acompanhar ritmos fora de sua realidade e, antes do meio da prova, já estão alternando caminhadas com corridas”, conta Anderson Machado.

5. Desatenção ao ler o regulamento de uma prova

Tudo bem, não tem a ver diretamente com o treinamento. Mas o corredor que não sabe detalhes da prova que vai disputar pode se frustrar bastante. Deixe a preguiça de lado e analise cuidadosamente os regulamentos que envolvem a sua participação.

“O mais grave e mais recorrente erro que todos os corredores cometem é se inscrever nas provas sem ler o regulamento. É muito importante sanar todas as dúvidas e saber exatamente o tipo de prova que está participando”, diz Juliano Maciel.

6. Copiar treinos dos outros

Um dos princípios mais importantes no esporte é a individualidade biológica. Um conjunto de diferenças físicas, bioquímicas e fisiológicas faz com que cada treino seja prescrito individualmente para cada praticante, até porque as pessoas não respondem da mesma forma à mesma carga de exercícios.

No entanto, na era das redes sociais, “sugar” o treino dos outros tornou-se um hábito para muita gente – e esse é um dos grandes erros no treinamento de corrida.

Influenciadores digitais compartilham seus treinos e, mesmo que involuntariamente, levam uma parcela de seus seguidores a repetir a mesma carga de exercício, porém nem sempre com o mesmo lastro esportivo.

7. Não dar a atenção ao fortalecimento 

Você é daqueles corredores que imaginam que a musculação vai te “deixar pesado”? Caso seja realmente levado a sério, esse clichê pode custar caro ao seu corpo. O fortalecimento muscular é fundamental para evitar lesões e fortalecer articulações muito exigidas na corrida. Fique tranquilo: “puxar ferro” não vai te transformar no novo Arnold Schwarzenegger.

Erros no treinamento de corrida: não, o fortalecimento muscular não faz isso com você

“Ao contrário do que muitos pensam, é uma modalidade a ser treinada para evitar que o corredor sinta dor nos tendões e outras lesões. A musculatura é importantíssima. Os treinos de força voltados para corrida são diferentes”, finaliza João Magalhães. 

*Por Diogo Magri, Pedro Cunácia e Pedro Lopes

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