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A lesão que pode ir além da lesão

A lesão que pode ir além da lesão

Treinar corrida não é fácil nessa rotina de metrópole, em meio ao trânsito, horas sentado no computador trabalhando, sempre tentando estar presente para a família, com smartphones ocupando grande parte do nosso dia com mensagens e redes sociais… É complicado administrar tudo isso!

A verdade é que em vários casos de lesão que chegam por aqui em nossa clínica, mais do que nunca precisamos desenvolver um olhar analítico atento às questões biopsicossociais, pois se considerarmos que um corredor pode se lesionar apenas quando está correndo e porque está correndo, há um grande risco de ignorar questões importantes.

Por exemplo, esse indivíduo pode ser um pai ou uma mãe, que às vezes carrega filhos no colo, dorme mal, trabalha no mínimo 8 horas por dia, passa horas dentro do carro no congestionamento e depois de tudo isso, com o corpo todo retraído, vai fazer seu treino de corrida.

E não para por aí. Temos que pensar que esse corredor ou corredora tem sentimentos, sofre emoções que tensionam o corpo, às vezes mais do que a própria rotina exaustiva. O estresse crônico é considerado pelos psiquiatras a pior das doenças nos dias de hoje.

Pessoas que se encontram neste estado tendem a um pequeno desequilíbrio do SNA (Sistema Nervoso Autônomo), que é regulado principalmente pela adrenalina e cortisol que são substâncias que preparam o corpo para ataque ou fuga; e pela acetilcolina, que regula e equilibra nosso sistema básico de sobrevivência normalizando a frequência cardíaca, respiratória e digestão, além de manter o corpo em homeostase (quando todos sistemas estão trabalhando em equilíbrio, sem gasto energético excessivo).

 

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É claro que tudo isso não tira a importância de olharmos para o aspecto BIO, ou seja, a lesão em si, até porque trabalhamos com muitas técnicas que olham para o corpo como um todo. Muitas vezes um corredor tem uma tendinopatia (tendinite) no joelho, mas a causa pode vir da pisada ou da pelve, como já comentei em outros artigos.

Mas cada vez mais vemos a importância de olharmos para os aspectos PSICO e SOCIAIS, pois a partir desse tipo de observação podemos orientar algumas mudanças de hábitos que geram melhorias mais importantes do que o próprio tratamento. Além de casos que vemos realmente a necessidade de atuarmos a partir de uma abordagem psicossomática, como também descrita em artigos anteriores.

A dica é prestar atenção na sua rotina e começar a perceber quais são os padrões de comportamento que geram piora e melhoria, começar a eliminar os que trazem a piora e sempre se manter em movimento. Pois se você sente dor correndo mas consegue caminhar sem dor, caminhe — é natural para o corpo e autorregulador.

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Claudio Cotter

Fisioterapeuta esportivo e gestor da CM2 Clínica Multidisciplinar em São Paulo. Pós-graduado em Medicina Psicossomática, especialista em RPG, Método Busquet e Força Dinâmica. Palestra... VEJA MAIS

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