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O vício pela corrida: precisei rever minha relação com o esporte

O vício pela corrida: precisei rever minha relação com o esporte

Estes dias tive uma conversa com meu marido sobre vícios. Ele me perguntou como eu defino vício e se eu me considero uma pessoa viciada.
Bom, vamos lá. O que é vício para mim? 

Sempre considerei vício tudo aquilo que é uma prática repetitiva ou hábito, mas que gere algum prejuízo físico ou emocional em mim. Se pararmos para observar, temos muitas práticas repetitivas ou hábitos na vida — isto é meio que uma condição básica de sobrevivência do ser humano.

Então, para não considerar tudo um vício e ser a “louca dos vícios”, considero fortemente a definição “que gere algum prejuízo físico ou emocional em mim”. Acredito que quando aciono esta segunda parte do conceito, já consigo filtrar bastante coisas na minha vida e o “fardo” fica mais leve.

Mas vamos entender o que tudo isso tem a ver com a corrida, que já me fez muito mal física e emocionalmente. Fisicamente foi quando realmente não soube ponderar os treinos para a minha primeira maratona, com descanso, fortalecimento adequado e um acompanhamento profissional mais focado.

Neste período tive uma lesão feia no osso tibial; não tive uma fratura por estresse, mas tive uma periostite,  uma inflamação na membrana mais externa do osso. Tem como sintomas muita dor no local afetado, inchaço, intensificação da dor conforme se faz a atividade física e melhora da dor durante o repouso.

Me lembro de um dia, depois de muito brigar com o diagnóstico e não aceitá-lo. Saí para correr e parecia que estava correndo uma Marcha Atlética. Era uma mistura de mancar e evitar apoiar o calcanhar no chão.

Durante nossa preparação para qualquer prova-alvo que seja, não aceitamos de jeito nenhum a lesão, não é verdade? Brigamos com a condição, com o médico, com o professor e com a nossa cabeça.

Então, chegou o momento que a corrida me machucou emocionalmente. Eu literalmente esperneava com a minha mente. Não aceitei no primeiro momento nem no segundo e, confesso, nem no terceiro; até que me rendi e fui trabalhar uma coisa que seria necessária para eu enfrentar este desafio — a humildade comigo mesma.

 

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Ninguém escolhe uma prova ou faz treinos para ir mal. Sempre queremos melhorar, buscar nossa melhor performance e obter os melhores resultados. E entramos em um ciclo de dependência emocional e física com a corrida, ou outro esporte, que precisa de muita atenção para não se tornar um vício.

Invariavelmente o esporte gera uma dependência química no nosso organismo, a endorfina. O que se sabe, com certeza, é que a endorfina tem uma potente ação analgésica. Ao ser liberada, estimula a sensação de bem-estar, conforto, melhor estado de humor e alegria.

Além do seu efeito analgésico, acredita-se que as endorfinas controlem a reação do corpo à tensão, regulando algumas funções do sistema nervoso autônomo, como as contrações da parede intestinal e determinando o humor. Elas também podem regular a liberação de outros hormônios.

Algumas pesquisas afirmam que os efeitos da endorfina são sentidos até uma ou duas horas após a sua liberação e, por ser considerado um “analgésico natural”, nos traz a sensação de bem-estar e tranquilidade, diminuindo a carga de estresse.Ou seja, ficamos dependentes deste “analgésico” e parece que a cada prática do esporte a necessidade é ainda maior de ser superada.

Hoje tenho total consciência de como implemento a corrida em minha vida, pois minha rotina se transformou com a mudança de país e a chegada da minha bebê. Eu falo que eles foram meu “Esportistas Anônimos” (E.A.), que me ajudaram a regular essa dependência e vício que eu tinha atribuído à corrida.

Praticar esporte é muito bom e isso todo mundo já sabe. Melhora nossa saúde, traz inúmeros benefícios, nos deixa mais felizes, melhora nosso círculo social, oxigena melhor nosso cérebro e ativa a mente criativa.

Mas, se em demasia, causa danos, inúmeros deles também e tudo o que construímos de positivo no início da nossa prática vai por água abaixo, como: deixa nosso social comprometido, ficamos obcecados com o peso da balança (sempre queremos estar mais leves), nos deixa muitas vezes bem solitários (e acreditem, tristes) e acaba gerando algumas deficiências no nosso organismo.

Como você definiria sua relação com o esporte hoje? Você é um viciado? Eu já fui, passei pelo E.A. e hoje digo que estou bem liberta, curtindo o esporte de uma forma que nunca tinha percebido antes.

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Anita Moraes

Mãe da Laura, corredora, engenheira, happiness e health coach e dona do perfil no Instagram @anita_pelomundo. Assim como tudo o que faz na vida, tem uma sede grande por autoconhecimento e b... VEJA MAIS

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