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Análise: Samsung Gear Fit 2 tem bom desempenho

Nos últimos anos, testei várias das chamadas “pulseiras esportivas”, que são equipamentos simples para monitorar a atividade física. Os aparelhos acompanham, por exemplo, quantos passos o usuário dá ao longo do dia, quantas horas dorme e outras curiosidades.

A ideia, pelo menos nos modelos de primeira geração dessa categoria, era ser um incentivo à atividade física. Vários dos aparelhos eram celular-dependente, ou seja, praticamente só funcionavam se e quando conectados ao telefone –o que, além de tudo, contribuía para devorar a bateria do celular.

Pois a segunda geração da pulseira de boa forma da Samsung dá a volta por cima nesses problemas. Com GPS integrado, ela pode ser usada para acompanhar caminhadas e corridas sem estar conectada ao celular –para mim, que não costumo correr prestando atenção ao telefone nem gosto de ouvir música durante os treinos, isso é uma benção.

E o GPS da Samsung Gear Fit 2 é bem bom. Nos diversos testes comparativos que fiz, o desempenho do aparelho da Samsung foi irregular, mas dentro de uma zona de confiança –a diferença de resultados em relação ao medido pelo meu relógio com GPS ficou em menos de 10%; em um treino, os resultados foram praticamente idênticos.

Um exemplo da disparidade foi num treino de oito quilômetros. Na marca dos 3 km, a diferença do Gear Fit para o relógio era de 300 metros. Pouco depois, porém, essa diferença aumentou para 500 metros e se manteve assim até o final do treino, quando meu relógio marcou 8,01 km e o Gear Fit 2 cravou 7,50 km.

Note-se que, como a diferença em valores absolutos foi mantida na segunda parte do treino, ela caiu em termos relativos. De modo geral, isso aconteceu em outros treinos: a diferença registrada ficou estável, significando queda em porcentual.

O último treino dos testes foi marcante. Relógio com GPS e pulseira cravaram quase exatamente a mesma distância: 8,48 km no relógio, 8,50 km na pulseira.

O fato de a medição dos treinos corridos ou caminhados ser de boa qualidade, porém, não chega a tornar a pulseira uma alternativa ao relógio com GPS –pelo menos, para corredores fanáticos por dados em profusão tanto durante a corrida quanto depois, na frente do computador.

Isso porque a oferta de informações da pulseira Samsung é muito limitada, especialmente durante a corrida, em que as mãos suadas tornam o controle da tela sensível ao toque bem chato e difícil. Se o usuário está correndo na rua, em dia de sol, a dificuldade é ainda maior. Ainda que o relógio tenha um sistema para dosar o brilho da tela, essa é praticamente ilegível sob sol forte –como, aliás, acontece com todos os aparelhos com esse tipo de tela e suas variantes, de câmeras digitais a celulares, passando por tabuletas eletrônicas e afins.

Além disso, as letras na telinha da pulseira são pequenas –em alguns casos, BEEEEM pequenas. Sem óculos, na rua, sob sol, sofri bastante para acertar o comando de pausar a medição de distância e a cronometragem –isso que eu havia tido o cuidado de, antes de sair para o treino, ver exatamente onde era o comando de pausa.

Bueno, mas, uma vez que consegui pausar, tudo funcionou direitinho. Pude tomar minha água descansadamente e, quando voltei a correr, o Gear Fit2 voltou a marcar e cronometrar com apuro. Isso não é dizer pouco, pois vários aparelhos que já testei se complicam com as medições depois de uma pausa no meio do caminho.

Aplicativo

Chegando em casa, tranquilo, com iluminação adequada, deu para ver tudo o que o aparelho tinha marcado: tempo, distância, calorias gastas, batimentos cardíacos (frequência máxima, frequência média e zona de treino). Tem ainda um minigráfico (distância e batimentos cardíacos) e um mapinha em ótima resolução –uma gracinha, mas absolutamente ilegível considerando as escalas envolvidas.

Uma opção é transmitir o mapa do percurso para sua página em uma rede social. Para isso, claro, o Fit 2 tem de estar conectado à internet –o que significa que tem de estar conectado ao celular e “pareado” com o aplicativo S-Health (aqui, exemplo de mapa de um dos treinos que fiz).

O que, por sua vez, significa que o usuário precisa baixar um aplicativo da Samsung com o qual configura e dá vida a algumas das funcionalidades do FIT2 (por exemplo: uma vez “pareada” com o celular, a pulseira pode controlar volume de execução das músicas e trocar de uma faixa a outra…).

 

 

A identificação da pulseira pelo aplicativo é automática e quase instantânea –pelo menos, é o que me dizem os representantes na Samsung. O aparelho que testei já tinha sido pareado anteriormente, e não foi reconhecido pelo aplicativo instalado no celular.

Tive de reinicializar a pulseira, restaurando as configurações de fábrica –não encontrei no guia do usuário a orientação para realizar esse processo, tive de fazê-lo com base em dicas dos especialistas da Samsung (é preciso manter pressionado, por alguns segundo, o botão de liga/desliga).

Uma vez superado esse problema, a instalação efetivamente se deu com facilidade. Além do aplicativo da pulseira (o Gear), também o programa de atividade física que vem no celular Samsung, o S-Health, reconheceu o aparelho na hora. O Gear Fit 2 fala ainda com o aplicativo de corrida da Nike. Nenhum desses programas, porém, chega perto, em qualidade, facilidade de uso e quantidade de informações, dos programas dos relógios com GPS.

Conclusão

A pulseira Gear Fit 2, que melhorou muito em relação à primeira geração, tornando-se um instrumento mais útil para corredores iniciantes ou mesmo pessoas que querem monitorar sua caminhada, ganharia muito com um programa específico, que pudesse ser visto no celular e em telas grandes.

Quando eu digo que melhorou muito em relação ao seu antecessor, falo não apenas das características técnicas como também da aparência e de seus penduricalhos. É mais bonito que a primeira geração e tem um monte de opções de apresentação de tela do relógio –fiquei um tempão brincando com as diversas combinações de formatos e cores…

No conjunto da obra, enfim, é de fato um avanço em relação ao Gear Fit e mesmo em relação à “comunidade” de pulseiras de boa forma. Corredores que não sejam obsessivos (existe isso?) podem gostar dele para treinos; para iniciantes e caminhantes, pode ser um bom companheiro de jornada.

O preço do bichinho fica em torno de R$ 1.300 (vários sites têm ofertas). Dá para encontrar relógios com GPS na mesma faixa e até bem mais baratos –os modelos mais básicos custam em torno de R$ 800. Mas há que convir que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa –a escolha vai do gosto do freguês.

PS.: Confira aqui o teste que fiz da primeira geração do Samsung Gear Fit: http://rodolfolucena.blogfolha.uol.com.br

 

Rodolfo Lucena

59, é jornalista, gaúcho, gremista, cachorreiro, escritor e ultramaratonista – já fez mais de 30 provas longas em cinco continentes. Autor de “Maratonando” e de “+Corrida”, atuou na Folha de S. Paulo por mais de 25 anos, faz o Blog do Lucena (lucenacorredor.blogspot.com) e o Maratonando com o MST (mstmaratonando.wordpress.com).

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