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Classificação de sofrimento do ciclista

Engraçado, me parece que nós, ciclistas, realmente participamos de uma categoria diferente de brutalidade. Nosso limiar de sofrimento é muito além da média.

Não é que não dói. Dói muito. Mas a gente não fica reclamando e nem tenta fugir do sofrimento. Aos poucos, aprendemos a conviver com a dor e a controlar o sofrimento para tirar o máximo do nosso corpo.

E percebemos que se não sofrermos no treino, pagamos o preço na competição. Então, se quero ir bem, tenho que trabalhar muito para isso.

Quando estamos entre nós mesmos, essa questão nem vira assunto. Aguentar o treino duro, as subidas exigentes, repetir 6x as subidas exigentes, arranhões, picadas e ver uma cobrinha no mato são coisas que viram piada. Mas quando a gente vai pro “mundo real”, acontece o contraste.

Não estou dizendo que é melhor ou pior, que é mais legal ou menos… é uma simples constatação da diferença.

Recentemente comecei a treinar musculação. Fazia 4 anos que não pisava em uma academia.

Os professores esperavam que eu fosse reclamar e sofrer, fizeram piadas sobre o “inferno” que estava por vir, maior terrorismo.

Estou alerta, pode ser que eu vá sofrer pra caramba, “pedir pra parar”. Mas… será mesmo?

Será que vai ser pior do que a Brasil Ride? Será que vai ser difícil do que o dia em que eu não sentia as mãos e nada dos joelhos pra baixo na Tour de los Andes, em Bariloche? Será que vai ser pior do que fazer um treino duro com vento contra e chuva, sozinha? Será que vai ser mais difícil do que acordar as 4:30 da manhã 3 vezes por semana para andar de bike em São Paulo, desviar de cocôs de capivara na Ciclovia, fugir de carros e ônibus raivosos, escapar dos bandidos?

Não, não vai ser!

Mas também não preciso ficar falando sobre isso. É simplesmente chegar lá e fazer o que tem que ser feito, e aos poucos acostumarmos um com o outro.

Só queria que soubessem que não tem nem uma parte de mim que gostaria de um corta-caminho.

Vamos às classificações (isso foi discutido no treino de hoje, esta é a conclusão):

1)      Estou sofrendo pra caramba, batimento no limite e o coração está na boca – ainda estou otimista que vai dar tudo certo

2)      Estou P… da vida, quem falar comigo vai levar um murro (mas não vou conseguir porque estou apenas sobrevivendo) – nem sinal da subida acabar

3)      Comecei a rezar (pelo menos ainda estou vivo) – nem sinal da subida acabar e não adianta eu ficar bravo

4)      Respira CARA***O!!! – hora de tirar o pé e dar uma recuperada! Rsrsrs Quem nunca fez tanta força que esqueceu de respirar?

Viviane Favery

Campeã brasileira de mountain bike marathon (2015), é atleta da equipe alemã Rose Vaujany fueled by ultraSPORTS e já representou a seleção nacional em alguns campeonatos mundiais. Fora das trilhas, corre para conciliar a vida de ciclista profissional com a de publicitária e marketeira, além de compartilhar suas dicas de pedal em um boletim semanal na Rádio Jovem Pan Online FM, batizado de Bike by Vivi Favery.

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Viviane Favery

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