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Não dê o passo maior que as pernas

Certa vez, li uma definição simples – mas verdadeira – sobre correr. Dizia que “correr era colocar um pé à frente do outro”. Como diz o ditado popular, não se pode “dar um passo maior que as pernas”, e é o que eu tenho visto aos montes na comunidade running – principalmente no que diz respeito a queimar etapas.

Entre minha primeira corrida oficial e primeira maratona, treinei cerca de 18 meses (ainda considero baixo esse gap). Mas vivíamos em outros tempos. Em 1995, as opções de corridas na cidade de São Paulo eram escassas. Era pegar ou largar (o que hoje não é verdade). Corrida temos aos montes, fora que correr no exterior ainda é uma opção infinitamente mais acessível do que nos “meus” tempos.

Antes de encarar meu primeiro 42Km, fiz muitos treinos longos e duas meia-maratonas com um tempo sub 1h35. Ou seja, para um amador novato, eu até que mandava relativamente “bem”.

Mas o que tenho visto atualmente é corredor “competindo” todo fim de semana. Muitos, claro, só “rodando” – pois ninguém consegue competir (entenda-se: competir é dar 100% do seu ritmo máximo em provas) sem ter um overtraining ou se lesionar seriamente.

Depois da banalização do termo “competir”, seja em provas de 5km, 10km, 15km ou 21km, veio a banalização da maratona. Atletas que começaram a correr “ontem” já enfrentam a mítica distância. Não é preciso ser um expert para notar que muitos desses corredores amadores quebram na corrida, que vira um calvário até a linha de chegada.

Pior do que correr a maratona sem lastro, é querer repeti-la por “n” vezes em um único ano. Eis a senha para estar no estaleiro por meses e, quiçá, desenvolver uma lesão crônica.

A cereja do bolo são os corredores que não se contentam com as maratonas e partem para as ultramaratonas de asfalto ou trail run, sem sequer participado de uma prova de 42 quilômetros. Eu mesmo levei exatos vinte anos da minha primeira corrida até a estreia em ultra-distâncias (isso porque já tinha um lastro de 25 maratonas no costado).

Por isso fica minha dica. Quer ter longevidade atlética? Não dê o passo maior que as pernas.

Harry Thomas Jr

Jornalista especializado em corridas de rua desde 1999, Harry competiu pela primeira vez em 1994 e desde então já completou 31 maratonas – sendo três sub 3 horas: São Paulo (2h59min30), Nova York (2h58min20) e Blumenau (2h58min10). Também concluiu seis Ultratrails: 60K Ultratrail Putaendo, 67K Ultratrail Torres del Paine, 50K Indomit Costa Esmeralda e os 50K Ultra Fiord por três vezes. Já correu em países como Argentina, Chile, Estados Unidos, Grécia e Japão.

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Harry Thomas Jr

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