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Nós, os chatos: texto para quem se tornou expert em corrida

Corrida é para todos, basta calçar o tênis e — pá! — ir. Os mais profissionais vão dizer que não, que é preciso ter acompanhamento, fazer teste ergométrico, teste de pisada, alinhar o corpo e blá-blá-blá… Fato é que um sedentário que comece a correr beeeem devagarzinho, em três meses está fechando 5 km. E quem faz 5 vira 8, de 8 para 10 é questão de treino, aí dá vontade de correr meia-maratona e logo você já está fazendo 28 km. Daí para os 42,195 km é um pulo. Tudo isso, é claro, desde que você queira e treine de forma adequada para tal.

Resumindo: em um ano ou um pouco mais do que isso temos mais um maratonista no mercado. Tudo muito bom, tudo muito bem, não fosse um detalhe. Esse lance de correr dá retorno rápido — além de virar maratonista em pouco tempo, a gente emagrece muito rápido, se anima e começa a dominar assuntos ligados a tênis, cronômetro, o que comer antes, durante e depois do treino, sabe quais são os melhores lugares do mundo para correr, a diferença entre correr no calor e no frio, os principais nomes de corredores do cenário mundial. E aí, todos viramos grandes especialistas em corrida.

Veja o meu caso. Se você me perguntar qualquer coisa sobre corrida, te dou uma palestra sem nunca ter frequentado uma faculdade sobre o tema. Agora, me pergunte sobre política e malemá vou saber o nome do presidente do Congresso Nacional, se é que já não mudou. Novela? Risos. A última do Trump? Não faço ideia. Mas sobre corrida, meu senhor e minha senhora, senta que lá vem história.

Estamos virando um exército de gente chata. Mala mesmo. Dessa laia que só fala, pensa, ouve, come e se interessa por corrida. Mas, calma, há uma saída, que é: corra. Apenas corra. Você tem todo o direito de postar seus recordes pessoais nas redes sociais, as novidades de um treino, falar sobre um lugar novo para correr. As pessoas vão aplaudir e mandar os parabéns. Mas o foco é seu, de mais ninguém.

Até dá para entender essa chatice que invade a gente. Correr é bom demais e o ato ainda é coroado com meia dúzia de hormônios que são liberados durante um treino, como a adrenalina e a endorfina, coisas que te dão ainda mais ânimo de viver. E mais vontade de falar sobre.

 

 

E o que você faz? Vira o grande divulgador dessa maravilha, porque quer que o mundo saiba como ela te mudou e como ela pode mudar o outro também — muito embora eu já tenha tentado catequizar uma meia dúzia de dez pessoas em vão.

No final das contas, estou eu aqui escrevendo sobre corrida. Pode ser que daqui a pouco eu volte a falar dela em outro lugar por onde passar. Isso quando não falo e alguém me pergunta. E aí, já viu. Porque já estou pensando em fazer uma ultramaratona de quase 90 km.

Lascou-se, a chatice nunca vai acabar.

Anne Dias

Jornalista com especialização em economia e com nove meia maratonas no currículo: duas W21, Meia Maratona das Pontes (Brasília), Disney, Corpore, São Paulo, Uberlândia, Porto Alegre e duas Golden 4 Asics. Concluiu também duas maratonas: Nova York e Buenos Aires. E não pretende parar.

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Anne Dias

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