Receba nossa newsletter e fique por dentro do mundo do esporte!

PUBLICIDADE

A (falta da) cultura do incentivo na corrida

A (falta da) cultura do incentivo na corrida

Uma das grandes atrações das maratonas internacionais, além da boa organização direcionada aos corredores, é o fato de ao longo do percurso haver presença maciça da torcida.

Nova York é o exemplo mais clássico com seus mais de 2 milhões de espectadores postados entre a saída do complexo viário da Verazzano Narrows, no início da prova, até a linha de chegada no Central Park.

Esses torcedores incentivam os atletas do primeiro ao último colocado, com gritos motivacionais que elevam a força mental, formando estações de hidratação e guloseimas, dando seus high fives. Enfim, participam ativamente do evento.

No Brasil com exceção de pouquíssimas competições, só vemos torcida nos metros finais. Isso se deve à falta de cultura running em nossa cultura social e esportiva.

No exterior, os torcedores podem ou não ter amigos ou parentes na prova, mas estão lá faça sol ou chuva, calor ou frio. Não pensem que só pessoas até meia idade se prestam a levantar cedo em quaisquer condições climáticas para ficar por horas em pé dando aquela força.

Ao correr a Maratona de Atenas, na Grécia, me impressionei com o número de pessoas na faixa dos 70, 80 e até 90 anos juntos aos netos e bisnetos gritando “bravo” e com um ramo de louro nas mãos para tocar naqueles que passavam. É a cultura-raiz da terra de Fidípedes.

No Brasil, podemos começar um trabalho de formiguinha dentro de casa, ao levar nossos filhos para assistir às corridas. Quem sabe até dando recursos simples como uma “mãozinha” de cartolina para fazer a criança se sentir parte do evento e com isso aflorar nela o desejo de na próxima corrida querer estar presente para torcer.

 

Leia mais

Pulem fora, pipocas

Corrida de rua: imprevistos e boas histórias

Faça provas menores antes da prova-alvo

 

As organizadoras por sua vez poderiam fornecer algum tipo de material motivacional como infláveis que imitam palmas, apitos. Enfim, um kit torcida que não seja encarado como oneração das inscrições, mas, sim, um investimento na prova em si.

Mas o paradigma maior é que grande parte da comunidade de corredores que reclamam que não há torcida na corrida, jamais apareceu para torcer em uma única prova.

Assim, não podemos cobrar do cidadão comum sair de casa cedo da manhã para ir torcer pelas ruas brasileiras, se nem mesmo nós, corredores, fazemos assim. Há várias formas de torcer. Pode ser na arena da prova, em pontos estratégicos do percurso, ou na porta ou perto de casa.

Assim, corredores solitários e grupos de amigos corredores que ficarem de fora de alguma competição podem se organizar e ir prestigiar os eventos . O torcedor-corredor obviamente quer viver sua vida familiar e particular fora da corrida.

Obviamente, ninguém é obrigado a ir torcer todo domingo (há quem queira). Mas se criássemos, digamos, uma cultura própria, de ir assistir a uma corrida por mês, já estaríamos contribuindo para aquilo que cobramos.

Porém há de se convir que a cobrança em si é ruim. Mas o resultado da cobrança é ótimo.

“Go Corredor!”

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Harry Thomas Jr

Jornalista especializado em corridas de rua desde 1999, Harry competiu pela primeira vez em 1994 e desde então já completou 28 maratonas – sendo três sub 3 horas: São Paulo (2h59min30)... VEJA MAIS

Compartilhe por email!