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Atenção com os gordinhos na corrida

Atenção com os gordinhos na corrida

Na corrida, quem vê cara não vê coração. É verdade que no atletismo profissional eu não me recordo de ter visto um gordinho ganhando medalhas. Aliás, até mesmo as provas que antes pareciam sob medida para eles (arremesso de peso, disco e dardo) hoje são vencidas por atletas mais musculosos. Mas isso é no mundo no qual 1% a mais de gordura pode fazer muita diferença. No dos atletas amadores, o peso está longe de ser um fator determinante de sucesso.

Já vi gordinhos na corrida fazendo 10 km abaixo de 45 minutos, completando maratonas e ultramaratonas. O Brasil, que já foi um país menos apegado a estereótipos, anda cada vez mais implicante com os gorduchos. Se é gordo, não é atleta, tem preguiça. Se é gordo, vai morrer cedo. Isso pode até ser verdade em alguns casos, mas muita gente tem sobrepeso por questões de compleição física, aspectos hormonais ou de metabolismo. Porém, se as pessoas são preconceituosas, os chips medidores de tempos não são. Para esses juízes isentos, o que vale é o placar, o tempo final. Para eles, os gordinhos podem brilhar.

Meu terceiro esporte preferido (depois de corrida e futebol) é observar um daqueles bombados ser humilhado por um gordinho. A cena é sempre muito engraçada. O saradão percebe que o gordinho o ultrapassou e toma um susto. Quase tropeça e cai. Mas junta os cacos e pensa: “Devo ter me distraído e deixei esse pobre-diabo me ultrapassar”. Aí, enche os pulmões e dá um pique desesperado. Como é um rato de academia, as pernas respondem e ele consegue tomar a frente. Então desacelera e respira aliviado. Basta fazer isso e lá vem o gordinho outra vez. O marombeiro volta a ficar para trás. E volta a usar todas as reservas de oxigênio para ultrapassar o rival. A coisa segue assim, indefinidamente, até que o playboy entrega os pontos — e ainda vê o gordinho dar mais uma ou duas voltas na pista.

Atenção com os gordinhos na corrida, amigos. Além de possuírem uma boa reserva natural de energia, costumam ter caráter inquebrantável. Os gordinhos que se atrevem a vestir uma apertada camiseta de corrida e saem para as ruas dispostos a enfrentar o julgamento e os olhares maldosos — além de uma ou outra piadinha idiota, como o clássico “tá magrinho, hein, bolão?” — dificilmente sucumbirão diante do calor, da umidade, das ladeiras ou de quaisquer outros obstáculos. Eu os respeito imensamente. São exemplos de garra, determinação e coragem. Coragem de enfrentar coisas pequenas, como os 42 km de uma maratona, ou até mesmo imensas, como o preconceito e a imbecilidade da espécie humana.

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Marcos Caetano

Sócio da empresa de comunicação estratégica Brunswick Group e cronista esportivo.... VEJA MAIS

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