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Conhecendo sua pisada

Conhecendo sua pisada

Muitos já sabem da importância de uma boa pisada no rendimento em uma corrida, ou na prevenção de dores em joelhos, quadril e coluna. Mas a maioria não faz ideia de como ela está.

Para começar, vamos pensar no jeito mais fácil de identificar alguns pontos. Basta pedir para que alguém olhe você correndo. Pode ser qualquer pessoa, inclusive quem não entende do assunto. Certamente, ela irá perceber aspectos mais gerais, como inclinações do corpo, tamanho do passo, movimentos de joelho, assimetrias chamativas e outros movimentos grotescos, caso existam. Estas informações de alguém leigo no assunto ajudam a repararmos em variações mais evidentes.

Outro modo semelhante é correr em frente e/ou de lado a um espelho grande. A vantagem desse método é que você tem ideia do quanto está diferente do que você consideraria como normal.

Depois de uma avaliação geral, vamos para um método mais específico. Pegue um par de tênis mais velho, com mais tempo de uso e observe sua sola. Olhe sempre os dois, um ao lado do outro. Na sola você encontra zonas de maior e menor desgaste. Tente reparar onde estas zonas estão localizadas e o quanto elas estão gastas ou mesmo intactas. As regiões mais usadas podem ser o reflexo das áreas do pé que costumam receber mais peso (em alguns casos são áreas que ficam raspando no chão e não necessariamente recebem carga). E as regiões menos alteradas são aquelas menos usadas, ou seja, relacionadas às áreas dos pés que não recebem tanto peso.

Em seguida, olhe os calçados por trás e tente perceber algum desnível na sola na parte de trás. Esta característica está relacionada ao tipo de apoio do calcanhar. Um desgaste na parte interna sugere um mesmo apoio na parte interna do calcanhar, bem como no caso do desgaste na parte externa, que sugere um apoio na parte externa. Se não houver nenhum desalinhamento, provavelmente, você possui um primeiro contato no médio pé, ou seja, usa a parte do meio do pé, ao invés do calcanhar, como o apoio inicial (muito comum em corredores de velocidade).

Agora, vamos mais a fundo e, utilizando o mesmo calçado, olhe a palmilha dele (se for possível retirá-la para fora será mais fácil). A maioria das palmilhas fica marcada com o tempo, sendo possível notar que os pontos de maior pressão do pé fazem o material dela ceder mais que os pontos de menor pressão e por isso, com o tempo, elas nos mostram as regiões do pé mais utilizadas.

Por último, vamos observar a sola de nossos pés. Passem a mão de leve e irão reparar regiões onde a pele é mais densa, mais rígida, ou áspera. Estas são regiões que são mais usadas e recebem mais pressão e atrito e, por isso, como forma de adaptação, a pele fica mais espessa. Diferente é o caso das regiões onde a pele é mais fina, macia e lisa, que representam as áreas menos usadas, que recebem pouca pressão e atrito.

O fato de descobrir que você usa, por exemplo, mais a parte interna do pé, não significa que precisa colocar um calço em um dos lados, ou que precisa comprar um tênis com reforço unilateral, ou começar a fazer força para corrigir isso, de jeito algum! Muitas vezes, essas alterações não geram dores ou redução no rendimento, pois são adaptações harmônicas do seu corpo e por isso, quando alteradas, podem gerar danos irreversíveis.

A necessidade de corrigir algumas alterações na pisada deve ser confirmada somente após uma avaliação profissional especializada. Além da avaliação postural, podem ser feitas a baropodometria estática e dinâmica e a escanometria, exames que medem a pressão exata em cada ponto do pé, inclusive durante uma corrida (existem esteiras de corrida com sensores capacitivos para este tipo de avaliação), bem como uma visualização detalhada do formato e das áreas mais utilizadas. Muitos tratamentos para dores nos pés são realizados, apenas, melhorando a postura e estabilidade de articulações superiores como joelho, quadril e coluna. Somente os casos de dores e lesões onde são observadas as influências do pé são tratados corrigindo-se a pisada, com técnicas específicas e uso de palmilhas personalizadas.

Portanto, se você sente dores, ou quer fazer um trabalho preventivo, pois acha que existem alterações muito evidentes, sugiro que procure pelo especialista. Agora, se já corre há muito tempo, não sente nenhum desconforto, mas descobriu várias alterações, não se preocupe! Seu pé só precisa te proporcionar aquela sensação prazerosa após uma corrida, seja ele todo torto, com dedos desproporcionais e cheio de calos. O.K.? Divirtam-se!

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Marcel Sera

Fisioterapeuta, palestrante e atleta amador! A ideia, aqui, é explicar como usamos e o que acontece com o nosso corpo em cada situação, ação e emoção de nosso dia-a-dia. Correr é uma... VEJA MAIS

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