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Entorse de tornozelo: a mais recorrente lesão dos corredores

Entorse de tornozelo: a mais recorrente lesão dos corredores

O que muitos não sabem é que a simples entorse de tornozelo é a lesão mais comum e recorrente entre corredores, seja de rua ou de trilha. É o tipo da lesão que pode ter vários patamares de gravidade, daquela que o atleta leva dois a três dias para voltar a correr até a outra que pode levar meses para curar depois de tratamento que envolve um bom tempo off, medicação, gelo e fisioterapia.

Um simples buraco na calçada, uma pisada em falso em uma trilha de terra já basta para que a torção aconteça. Mas ela não acontece somente por razões do piso utilizado. 

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“Por ser nosso primeiro contato com o solo, devemos compensar a instabilidade do movimento ou irregularidade do terreno. Podemos citar dois grandes grupos de fatores de risco: relacionados à própria pessoa (intrínsecos), como torções prévias ou mal reabilitadas, limitação de mobilidade dos tornozelo e obesidade, e os externos (extrínsecos) como terrenos irregulares (calçadas esburacadas ou trilhas) e tênis maiores que o pés ou mal amarrados, além de condições congênitas como por exemplo fusão entre ossos dos pés (coalizão tarsal).”, explica o Dr. Sérgio Maurício, médico ortopedista especializado em joelhos.

Já o treinador Vanderlei Carlos Severiano, o popular Branca, endossa os pontos abordados por Maurício e aponta outras evidências. “Existem vários fatores que tornam a torção de tornozelo recorrentes. Entre ele estão a ausência de um treino preventivo envolvendo equilíbrio e velocidade de resposta muscular; a fadiga decorrente do treino; a supinação e pronação extrema da articulação do tornozelo, ou seja, os atletas têm uma formação do pé muito supinado ou muito pronada, estes fatores favorecem sofrer entorses”, conta.

“O gênero feminino é muito propício a ter entorses devido ao uso de calçado, principalmente quem utiliza salto alto. Estudos sugerem que pés de dimensões maiores ou menores em relação ao corpo como um todo incidam em torções. Há estudos que ainda relacionam a correlação entre a altura e o peso e a dominância do membro inferior,” explica o treinador.

Sabendo das várias origens das entorses de tornozelo, o corredor pode minimizar as lesões, como aponta o treinador Daniel Gohl, especializado em trail run, que enfatiza a importância de exercícios de fortalecimento. “A entorse normalmente é decorrente de falta de força nos músculos e tendões que dão estabilidade a região. Aliada a falta de reforço muscular também tem a baixa propriocepção e consciência corporal do atleta. O atleta deve fazer exercícios que buscam estabilizar, dar força e resistência da articulação.” explica o treinador gaúcho.

“Fazer exercícios específicos para melhorar a estabilidade dinâmica e estática dos tornozelos. Deve ter uma programação específica e independente do treino principal, ou seja, um reforço a mais nos treinos. Os ligamentos também têm que ter um treinamento específico independente da fase e, para isso, deve-se incluir na rotina de treinamento esses exercícios adicionais juntamente com aprimoramento das habilidades e condicionamento físico”, diz Branca. 

Mas como o corredor deve saber diferenciar quando a torção é a simples que basta dois dias de gelo para volta a correr, de uma mais complexa? “Aquelas torções que no mesmo dia a pessoa consegue manter seu exercício e funções cotidianos em geral não são problemáticas, mas não é recomendado o retorno ao esporte até que a dor tenha cessado por completo e a função reestabelecida. Já as torções em que a pessoa tem dor que faz mancar, ou gera um edema, inspiram atenção. Muitas vezes as pessoas acham que por estarem andando foi ‘só uma torção’. No entanto, fraturas sem desvio dos fragmentos ósseos podem se apresentar idênticas às torções, tornando imprescindível uma avaliação médica e possível exame de imagem”, avalia o Dr. Sergio Mauricio.

Enfim, mais do que atenção onde se pisa, a prevenção através exercícios de reforço como a musculação e pliométricos é mais que bem vinda e deve fazer parte da agenda do corredor.

O Dr. Sergio Maurício explica o mais utilizado protocolo médico nas entorses, o PRICE: 

P – Pain – controle da dor com analgésicos que não tenha alergia ou restrição;
R – Rest – repouso imediato para que não haja aumento da extensão da lesão;
I – Gelo – 20 minutos de gelo, nunca aplicado diretamente na pele para evitar queimaduras;
C – Compression – bandagens compressivas para contenção do edema e estabilização da articulação;
E – Elevation – manter o membro elevado na drenagem do edema inicial. Se sentado, colocar o pé em cima de outra cadeira. Se deitado, colocar o pé em cima de dois travesseiros.

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Harry Thomas Jr

Jornalista especializado em corridas de rua desde 1999, Harry competiu pela primeira vez em 1994 e desde então já completou 31 maratonas – sendo três sub 3 horas: São Paulo (2h59min30)... VEJA MAIS

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