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Nova York: a mãe das maratonas

Nova York: a mãe das maratonas

Sim, eu fiz a Maratona de Nova York. Sim, duas vezes. Sim, foi sensacional. Sim, ela é tudo o que todo mundo diz. Mas tem outros lances que, putz, valem cada centímetro e cada centavo gastos. Vamos a eles:

1. o asfalto: é uma das coisas mais incríveis desta vida. Não é 100% perfeito, mas, ó, dá vontade de armar uma cama e dormir, imagina correr.

2. os americanos que correm: ô gente bonita. Não vi um verdadeiramente feio. Hordas de famílias lindas, gordinhas, bochechas róseas, parentes do Papai Noel. E, num outro extremo, tem os magrelos cheios de estilo. Em geral, vestem uma camiseta, shortinho e vão firmes.

3. o kit: não tem nada. É a camiseta, número de peito e só. E ninguém reclama. NINGUÉM reclama!!! É lindo de ver, porque a festa não está na sacola. A festa está nos 42,195km.

4. o kit do final da prova: se procurar talvez você até ache um frango assado no fundo da sacola. Tem de tudo: coisa salgada, água, energético, barrinha, coisa doce, mais coisa doce e outra coisa doce. Ah, sim, claro, tem uma maçã – americano adora essa fruta idiota, além de banana tamanho G. A sacola em si é linda. E a maioria das pessoas joga ela fora – porque a festa já acabou.

5. pontos de hidratação: você acredita que eles não ficam no pé de uma subida??? Pode parecer incrível, mas a água fica num plano – plano este que assim permanecerá por pelo menos 1km. Cansei de fazer prova em São Paulo onde a hidratação fica no pé de uma montanha. Nego num sabe se sobe ofegando e toma água ao mesmo tempo, carrega a água para tomar depois, para de correr para beber…

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6. os fotógrafos:
você acredita que, por alguma mágica, eles ficam nos cantos do caminho? De modos que você não topa com o sujeito justamente naquele momento em que está concentrado na corrida. Cansei de fazer prova em São Paulo em que o fotógrafo estava sentado no meio da avenida, ali pelo km 17. Teve um que, peço desculpas públicas, eu quase atropelei.

7. as crianças: elas ficam na chuva com seus pais para verem a maratona passar. Veja: eu tenho um mini me de 11 anos. Quando cai uma gota de água na cabeça dele já acho que ele vai morrer de pneumonia. Lá não. Os pais levam os filhos para participar da festa com chuva e vento. E os pequenos ainda esticam o bracinho para te cumprimentar. É lindo demais.

8. o cuidado com o corredor: quando você termina a prova, eles te dão uma manta térmica, inúmeros parabéns dos voluntários e atenção de centenas de médicos que perguntam o tempo todo se você chegou bem, se precisa de alguma ajuda. Eles praticamente te pegam no colo. Talvez por isso essa maratona é considerada a mãe de todas. Se não é, deveria.

9. o último colocado: eu acho que, de verdade, neste mundo capitalista a Maratona de Nova York é o único lugar onde o perdedor recebe a mesma atenção, brilho e carinho que o primeiro. O presidente da prova espera o cara chegar e atravessa a linha com ele. É marketing? Porque o normal é todo mundo falar bem do último, mas festa mesmo, só pro primeirão.

10. cabeça X corpo: se você estiver bem treinado, essa prova faz algo que poucas conseguem. Ela puxa sua cabeça o tempo todo. Então, o cansaço mental, a monotonia e a preguiça desaparecem. E, existindo alguma dor, a cabeça tá no controle. Ela dá um jeito de tirar o foco daquilo que está doendo e te manda ir. E sabe o que acontece? Você vai.

 

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Anne Dias

Jornalista com especialização em economia e com nove meia maratonas no currículo: duas W21, Meia Maratona das Pontes (Brasília), Disney, Corpore, São Paulo, Uberlândia, Porto Alegre e ... VEJA MAIS

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