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O dia em que fui vítima da hiper-hidratação

O dia em que fui vítima da hiper-hidratação

Há 20 anos círculo nos bastidores do alto rendimento brasileiro. Com acesso credenciado a concentrações e hotéis, observei em quase todas as oportunidades como a elite se hidratava a partir de 48 horas antes das competições. Sempre com uma garrafinha de água na mão, os atletas de elite bebem em microgoles, às vezes, só o bastante para molhar a boca. Bebem pouco, constantemente e de forma espaçada.

“A hiper-hidratação é, na verdade, uma estratégia para ficar o mais próximo de 100% hidratado. Ao contrário do, por exemplo, camelo, não conseguimos armazenar um estoque de água. No entanto, quando fazemos a redução de volume dos treinos e com a devida ingestão de carboidratos, o corpo armazena 2,7g de água para cada grama de carboidrato armazenado nos músculos. Além disso, a suplementação de creatina também promove armazenamento de água.”, explica o treinador Renato Hoeppner Dutra Neto.

Na minha última meia maratona na cidade do Rio de Janeiro esquecendo tudo que aprendi, cometi um erro primário. Antes é necessário explicar, que correr no Rio de Janeiro para mim sempre foi difícil em função da alta umidade, uma das características da cidade. Estranho que não sinto os efeitos iguais ao Rio em outras cidades litorâneas como, Santos, Bertioga ou Florianópolis, por exemplo.

Dito isso, no dia da prova levanto às 5h15 da manhã pois estava a 15 minutos da largada que aconteceria às 6h30. Abro uma garrafa de água e bebo metade. Me arrumo. Desço tomo um iogurte e um gole de café preto e tomo os restantes dos 500ml da garrafa. Até aí estava ótimo! Vou correndo até a largada. Chego com sede. Pego dois copos d´água para beber na baia.

Largo em um ritmo um pouco acima do estipulado. Mas quando chega no quilômetro 7, reavalio e tiro o pé. Neste momento, me sentia muito pesado. E deveria ter lembrado do que o Doutor Drauzio Varella ensina e seu livro “Correr” no capítulo sobre desidratação: “Não beba demais. Ganhar peso durante a prova não é sinal de boa hidratação, mas de hiper-hidratação”. Bingo!

Dois quilômetros à frente vem um posto de isotônico que é o principal suplemento que utilizo durante as corridas. Bebo um de sabor tangerina. A acidez cítrica somada  ao tanque cheio faz eu botar pra fora na sequência. A sorte que como estava de estômago vazio de alimentos sólidos não sujei as ruas cariocas.

O pior é que iniciou um ciclo vicioso. Quanto mais eu colocava pra fora, mais repunha no próximo posto por sentir sede e por sua vez novamente colocava para fora. Foram no mínimo umas cinco paradas.

Portanto, devemos ficar atentos que não é somente a falta de água que nos prejudica, mas também seu excesso. Aqui devemos enfatizar que o excesso que faz mal se diz à forma como me hidratei com alto volume e em espaço curto de tempo, diferentemente da elite quando utiliza a estratégia correta.

Correndo e aprendendo!

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Sobre o autor

Harry Thomas Jr

Jornalista especializado em corridas de rua desde 1999, Harry competiu pela primeira vez em 1994 e desde então já completou 31 maratonas – sendo três sub 3 horas: São Paulo (2h59min30)... VEJA MAIS

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