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Praticar caminhada melhora a técnica de corrida

Praticar caminhada melhora a técnica de corrida

Praticar caminhada e correr, correr e praticar caminhada.

Desde o século passado treinadores de corrida advogam que treinos para maratonistas amadores – e mesmo para quem busca distâncias menores — devem combinar corrida e caminhada.

Quando eu falo século passado é lá mesmo, longe, longe. Provavelmente você não tinha nascido ainda quando o norte-americano Jeff Galloway começou a trabalhar com essa metodologia, nos idos de 1974.

Cito o Galloway não porque ele tenha sido o inventor desse processo, mas porque é um dos pioneiros e um dos mais conhecidos advogados de praticar caminhada e correr. Tem livros e um bem frequentado site internético em que fala sobre o assunto – dê uma conferida em www.jeffgalloway.com/training/run-walk.

O primeiro objetivo dos intervalos de caminhada, de acordo com a maioria dos defensores desse métido, é reduzir o cansaço e garantir ou, pelo menos, ampliar as chances de que o atleta amador complete o treino ou a corrida em segurança.

Galloway afirma que, além de tudo, haverá ganho de ritmo e tempo melhor no final – uma vantagem de sete minutos em provas de 21 km e de 13 minutos em maratonas.

Há cerca de uma década eu uso essa combinação de caminhada e corrida. Comecei a aproveitar esse método com maior vigor quando treinei para a minha mais longa ultramaratona, uma prova de cem quilômetros que realizei em 2007, na Itália.

 

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O objetivo, de modo geral, era aumentar a resistência e diminuir o esforço, garantindo que eu pudesse ficar mais tempo de pé, ganhando metros e quilômetros.

Mais recentemente, venho usando a combinação de praticar caminhada e correr como sistema de defesa e prevenção contra lesões. A recuperação dos treinos também é mais rápida e eficiente – pelo menos é a impressão que eu tenho.

Em alguns casos, orientado por meu treinador, Alexandre Blass, da Força Dinâmica, uso a caminhada com objetivo específico de resistência/força. Por exemplo, os treinos de rampas longas são feitos caminhando (no básico, faço três voltas em torno do estádio do Pacaembu).

Tudo isso faz sentido, agrada ao pensamento lógico e ao bom senso. Talvez a tese de Galloway de que se ganha tempo fazendo intervalos de caminhada não consiga convencer a todos, mas, de resto, imagino que a ideia de que a mistura protege o indivíduo seja facilmente aceita pela maioria de nós.

De olho na técnica
O que eu não sabia era que o caminhar também é importante para melhorar a técnica da corrida – tornar a corrida mais econômica e, assim, fazer o esforço mais produtivo.

Fiquei sabendo disso em recente conversa com o já citado Alexandre Blass, que é mestre em esporte de alto rendimento e um estudioso do movimento humano.

Conversava com ele sobre outro assunto – o treinamento de pessoas de mais de sessenta anos, e claro que a caminhada entrou no assunto, ainda mais que caminhar é só o que eu tenho feito nos últimos tempos (saiba mais conferindo meu blog: www.lucenacorredor.blogspot.com).

Ele me explicou que usa a combinação de corrida e caminhada nos treinamentos de atletas de qualquer idade, “mesmo para atleta de alto rendimento, por causa da extensão óssea que se consegue na caminhada”.

É importante, continua ele, porque na caminhada se reduzem “as cargas descendentes que os ossos, articulações e tendões recebem. Com isso, a recuperação é mais rápida”.

Não só, como como também é determinante para o ganho de qualidade, para a melhoria da técnica de corrida.

“A mecânica da caminhada é fundamental para você interferir no experimento. A caminhada vai dar claramente a possibilidade de esticar a pelve. Esticar o joelho. Usar a planta do pé.”

Na caminhada, o pé fica mais tempo em contato com o chão do que na corrida: em média, o dobro do tempo, segundo diz Alexandre. O que é de enorme importância: “Esse maior tempo de contato faz com que você consiga fazer com que o sistema nervoso participe mais do passo, e aí você consiga perceber mais erros e acertos desses passos”.

Então fica a dica: mesmo que você seja um corredor rápido, leve e jovem, não despreze a importância da caminhada em seus treinos.

Se puder, consulte um especialista que possa ajudá-lo a entender melhor os movimentos de seu corpo, conversar com você sobre o que está acontecendo.

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Rodolfo Lucena

59, é jornalista, gaúcho, gremista, cachorreiro, escritor e ultramaratonista – já fez mais de 30 provas longas em cinco continentes. Autor de “Maratonando” e de “+Corrida”, atuo... VEJA MAIS

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