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Sim, somos todos pedestres

Sim, somos todos pedestres

Quem caminha deve ser cuidado por todos nós, ciclistas, motociclistas e motoristas. Deveria ser como nas famílias grandes, nas quais os irmãos maiores cuidam dos menores. Uma ação legal seria uma campanha de educação para – me perdoe, mas vou usar uma palavra banalizada – empoderar o pedestre. Algo que mudasse a perspectiva e a consciência a ponto de a prioridade nas ruas passar a ser as pessoas e não o modo como elas se deslocam.

Um pedestre seguro é capaz de, por exemplo, fazer um carro parar em uma faixa de travessia sem sinal específico para que ele atravesse. Hoje, infelizmente, estão todos acuados.

Os tempos de faróis também precisam levar em conta quem vai a pé e não apenas os carros. Não é justo que o cidadão seja obrigado a fazer uma travessia em menos de 10 segundos, assim como não é possível que dezenas de pessoas se aglomerem em uma esquina aguardando que o sinal feche para que os carros possam passar. É fundamental também construir calçadas decentes e ampliar a iluminação pública.

Ao mesmo tempo, está mais do que na hora dos pedestres assumirem a responsabilidade pela própria segurança e não apenas deixá-la nas mãos dos ciclistas, motociclistas e motoristas. Isso significa que atitudes básicas, como olhar antes de atravessar, usar a faixa de segurança sempre que possível e deixar a esquerda livre para que todos possam passar (o Metrô de São Paulo fez uma campanha e seu efeito positivo se vê nas escadas rolantes). Também é preciso andar atento, com os olhos longe do celular.

Todas as ciclovias da cidade são compartilhadas com pedestres. Tudo bem, pois acredito que com gentileza cabemos todos. Mas nesses locais é mais do que fundamental que quem vai a pé ao menos ande em linha reta e saiba que bicicletas passam por ali. Ter noção do espaço que se ocupa é fundamental. Ou seja, um corpo que carrega uma mochila, uma bolsa grande, uma caixa ou um guarda-chuva ocupa mais espaço e qualquer movimento brusco pode ser perigoso.

Essa distração ao caminhar tem causado acidentes e brigas. Há 20 dias fui atingida pela mochila de uma pedestre que aguardava o sinal abrir na ciclovia da Avenida Paulista. Fui arremessada para o meio da rua. Por sorte o carro que vinha conseguiu parar. A pedestre foi embora, sem me dar atenção. Outro dia, na ciclovia da Avenida Sumaré, um pedestre bloqueou a pista enquanto fazia seus alongamentos. Vale ressaltar que ele estava longe da estação de exercícios construída para esta função. Uma amiga ciclista pediu licença, não lhe foi dada. Ela argumentou e foi tratada com frieza. Enquanto passava pela grama do canteiro central, o atleta deu um chute na roda da bicicleta. Talvez não tenha sido de propósito, mas minha amiga foi derrubada e sofreu hematomas. Não vou nem citar o fato de ela ser mulher.

O que penso ser fundamental neste momento é que cabe ao ciclista muita paciência e, principalmente, respeito ao pedestre. Dar sempre prioridade a eles nas travessias, seja na faixa ou fora dela, diminuir a velocidade onde tiver muita gente passando e evitar ao máximo circular pelas calçadas. É preciso lembrar que o componente novo nas vias da cidade é o ciclista. Mudar o ponto de vista dos outros requer um trabalho coletivo de formiguinha. Só assim a vida nas cidades vai mudar para melhor.

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Adriana Marmo

É cinquentinha, jornalista, mãe coruja de um adolescente, autora do www.ventonasaia.com e há dois anos descobriu a delícia que é usar a bicicleta como principal meio de transporte nas r... VEJA MAIS

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