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Testei: Nimbus 18

Testei: Nimbus 18

Querida leitora, estimado leitor: como você já percebeu, este nosso espaço aqui no maior portal de corridas da América Latina é eclético.

Conto histórias de corridas que vivi, trago relatos de corredores outros, analiso notícias do mundo das corridas, faço filosofia corrida e, de vez em quando, também apresento ou avalio produtos que interessam a corredores.

Em qualquer área, de telefones inteligentes a câmeras esportivas, roupas ou calçados de corrida, minha avaliação é de um usuário dedicado. Falo mais, portanto, do dito “sentimento do feeling” do que de minúcias técnicas –em algumas áreas, temos aqui mesmo no portal especialistas rematados.

Todo esse preâmbulo é para contar que tive a oportunidade de testar a mais recente versão do Nimbus, o carro-chefe da Asics em termos de tênis de amortecimento, para pisada neutra/supinada ou levemente pronada.

Falo desses tipos de pisada para que você esteja informado, caso algum vendedor venha a falar sobre isso.

Porém, deixo claro que uma montoeira de estudos científicos e revisões de estudos científicos já concluiu que essa história de tênis adaptado para pisada tal ou qual “não inflói nem diminói”, não melhora desempenho nem tem qualquer influência em eventual redução de risco de lesão.

O melhor tênis de corrida, dizem especialistas independentes, é aquele que serve bem, fique confortável no pé e tenha um bom amortecimento –também mais definido pela sensação do que por critérios científicos (ainda que existam formas científicas de mensurá-lo).

Bueno, por esse critério, o Nimbus é muito bom. Fica superconfortável, tem bom espaço para a parte da frente do pé, abraça com firmeza o calcanhar, é flexível sem ser molenga e não pesa demais.

O Nimbus 18, além disso, tem amortecimento extra, com gel interno, na parte da frente do pé =uma espécie de colchãozinho que atende os metatarsos.

Isso é muito bom, especialmente para quem, como eu, tem uma inflamação terrível atrás do segundo e terceiro dedos do pé esquerdo.

Não é, porém, uma novidade ou mudança de paradigma. Longe disso. Lá na década passada a Brooks tinha o sensacional, magnífico, estupendo Dyad –um calçado de amortecimento largo por natureza que, apesar disso, oferecia modelos com largura extra na parte da frente.

Pois o Dyad tinha esse colchãozinho no dito antepé. Quando experimentei, comprei na hora um modelo maior do que o calçado que eu usava normalmente ==guardei o Dyad para vestir na parte final de minha primeira corrida de cem quilômetros (até agora, única).

Quando chegou a marca dos 80 quilômetros, já meio tonto pela madrugada e pelo tempo no asfalto, tirei o tênis que me acompanhara fielmente até então e troquei por aquela “lancha” plena de amortecimento.

Foi uma beleza.

Esse interlúdio foi apenas para lembrar que há outros bons calçados com amortecimento no calcanhar e na parte da frente do pé.

Cada corredor pode se adaptar melhor a um ou a outro. Vale sempre experimentar.

O Nimbus também é um veterano das estradas. Como já disse, a versão testado agora é a de número 18.

Quando comprei um Nimbus pela primeira vez ele estava na versão 7. Adorei. Comprei vários pares etc. e tal, aproveitando que, na época, fazia viagens a trabalho aos EUA com alguma frequência.

Quando chegou a versão nova, a 8, corri para comprar.

Foi numa decepção. Tinha um batoquinho na biqueira que ralava nos dedos, por dentro do calçado. Odiei.

Mesmo assim, ainda experimentei a versão seguinte, a 9. Por alguma razão que não consigo entender, a Asics, na versão 9, destruiu uma das melhores características do Nimbus e afinou a parte da frente.

Com duas decepções seguidas, simplesmente parei de comprar aquele modelo e fui fazer outras experiências. Nunca mais usei um Nimbus até os testes de agora.

Aliás, nunca uso tênis de apenas uma marca. Em geral, faço rotação de dois ou três modelos. Busco calçados largos, com bom amortecimento e flexíveis, mas não demais. Atualmente, uso um Cumulus (Asics), um Pegasus (Nike) e um ProRunner (Mizuno).

Quanto ao Nimbus 18, como disse, achei um calçado muito bom, que atende corredores pesados e não deve prejudicar atletas mais leves.

Tem uma firula especial, ilhoses nos furinhos de passar os cadarços. Pode ser que isso exista em outros modelos, mas, para mim, é novidade. É bacaninha e útil, pois tende a diminuir o esgarçamento do tecido.

Como outros modelos da Asics, tem chapinhas de borracha especial em pontos estratégicos da sola. Isso ajuda o amortecimento, mas vou lhe dizer uma coisa: desconfio delas.

Corri pouco mais de cem quilômetros com o modelo testado, e elas se comportaram bem; a impressão que fica, porém, é que podem se descolar a qualquer momento. Tomara que não seja verdade.

Minha maior divergência com Nimbus 18, porém, é estética. Gosto muito das cores exuberantes e da multitude de tons que vêm cobrindo os calçados de corrida; no caso do Nimbus, o modelo que testei é super-hiper sem graça. Pelo que vi na internet, a paleta de cores é um tanto desmaiada.

Mas a aparência, claro, não muda o coração do calçado.

Com todos esses recursos, o Nimbus 18 é caro. O preço de lista é de 749,90.

Nos EUA, custa em torno de US$ 150, o que dá cerca de R$ 500. Então não é uma diferença absurda, como costumava ser, mas é significativa.

Uma vantagem é que, aqui, em geral é possível fazer a compra em prestações.

Outra opção é buscar modelos de coleções anteriores. Em geral, os preços são bem mais competitivos.

Ou mesmo buscar “irmãos menores”. O Cumulus que eu uso, por exemplo, comprei aqui no Brasil em uma promoção; não era o modelo mais recente, mas tinha tudo o que eu precisava.

Isso vale para outras marcas. O ProRunner, da Mizuno, é um calçado muito bom para pisada neutra, e bem mais barato do que o Creation, que é o campeão da empresa.

 

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Rodolfo Lucena

59, é jornalista, gaúcho, gremista, cachorreiro, escritor e ultramaratonista – já fez mais de 30 provas longas em cinco continentes. Autor de “Maratonando” e de “+Corrida”, atuo... VEJA MAIS

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