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Você sabe amarrar seus tênis de corrida?

Você sabe amarrar seus tênis de corrida?

A maioria esmagadora dos tênis de corrida tem cadarço, mas nenhum deles vem com um manual de como amarrá-lo. A princípio parece meio óbvio, afinal todos acreditam saber amarrar o próprio tênis. Mas a verdade é que alguns se machucam e nunca percebem que o erro pode estar justamente na amarração.

O cadarço tem como função principal fixar o pé dentro do calçado. Idealmente, um pé bem encaixado não deve escorregar ou ter qualquer parte se deslocando em relação ao calçado. Quando o conjunto estiver bem coeso, podemos dizer que o pé fica mais protegido, como se ele engrossasse com camadas de materiais que amortecem os impactos e, ao mesmo tempo, protegem a pele de eventuais estragos.

Um calçado com cadarço frouxo cria um movimento extra, entre ele e o pé, gerando uma demanda a mais para o corpo, que agora tenta estabilizar não somente os movimentos do pé, mas também o que está por cima dele. É como andar de chinelo sem fixação no tornozelo, onde temos que contrair um pouco mais de músculos da sola do pé para evitarmos que ele escape.

Por outro lado, um cadarço tenso demais comprime nosso pé e pode alterar a função de suas pequenas articulações e de músculos que as protegem. Nesse momento, é importante lembrar que nosso pé possui vários ossos que se articulam entre si. Isto é, ele possui diversos pequenos movimentos, quando pisamos no chão, ao andar e, principalmente, ao correr.

Durante uma corrida, esses pequenos movimentos são mais acentuados, pois existe mais carga sendo colocada nos pés. Se apertarmos demais o cadarço, o espaço para que estes movimentos sejam feitos é reduzido, podendo sobrecarregar outras articulações como tornozelos e joelhos, que tentarão compensar a falta de mobilidade dos pés. Já no caso de cadarços mais soltos, pode ocorrer uma sobrecarga de músculos e articulações do pé pelo excesso de movimentos gerados e uma maior necessidade de tentar controlá-los.

Agora, pensando exclusivamente nos tênis de corrida, reparem que eles possuem uma boa área para colocação do cadarço, permitindo várias voltas. Isso tem um porquê! Serve, justamente, para que o corredor escolha qual a região que ele quer deixar mais firme ou mais frouxa. A região mais baixa aumenta a pressão próxima à base dos dedos; a região média comprime o meio do pé e a região mais alta (aqueles furinhos que muitos ignoram e nem passam o cadarço) conseguem fornecer mais estabilidade à porção inferior do tornozelo.

Por exemplo, pessoas com pés mais instáveis (musculatura profunda dos pés mais fraca) se dão melhor quando apertam mais o cadarço na altura entre a base dos dedos e o meio do pé. Aqueles que possuem histórico de entorses de tornozelo se beneficiam muito com o uso dos orifícios superiores. Boa parte dos corredores prefere deixar a base dos dedos mais livre, pois é uma região muito usada para a impulsão e que recebe muita pressão, sendo necessário um espaço para a mobilidade dos ossos (inclusive é por isso que os tênis de corrida possuem esta região mais alargada em comparação a sapatos sociais ou calçados de passeio).

Apesar de tudo isso, não significa que quem aperta tudo demais (ou de menos) vai necessariamente se machucar. Isso não é verdade, mas certamente aumentam as chances, por exemplo, de alguém que aperta demais os cadarços da região mais baixa do tênis sentir um desconforto embaixo da base do terceiro dedo (o do meio). Ou, uma pessoa que afrouxa demais o tecido sentir uma fadiga de músculos da sola do pé, pois este ficou escorregando dentro do calçado e contraindo-se demais para tentar estabilizá-lo.

Enfim, saber utilizar a pressão ideal para cada segmento pode ajudar bastante no rendimento durante um treino ou prova, bem como prevenir lesões corriqueiras. Por tudo isso, eu sugiro que você invista em um dia para fazer os ajustes necessários, testando novamente as amarras, até encontrar um padrão de fixação dos cadarços (que, infelizmente, pode variar conforme o modelo e a marca) de cada um de seus tênis de corrida. E, no final, tenha a certeza de que o resultado será muito agradável!

Os textos, informações e opiniões publicados nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo.com

Sobre o autor

Marcel Sera

Fisioterapeuta, palestrante e atleta amador! A ideia, aqui, é explicar como usamos e o que acontece com o nosso corpo em cada situação, ação e emoção de nosso dia-a-dia. Correr é uma... VEJA MAIS

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