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Circuito Vale Europeu: boa estrutura e belas paisagens

Foto: Egon Koprowski

O cicloturismo vem crescendo no Brasil ao longo dos anos, movimento incentivado pelo surgimento de novas rotas em diferentes regiões do País. Umas das pioneiras e mais bem estruturadas certamente é o Circuito Vale Europeu, localizado na região do Médio Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Em seus 300 quilômetros de extensão, explora os inúmeros atrativos dos nove municípios pelos quais passa – Apiúna, Ascurra, Benedito Novo, Doutor Pedrinho, Indaial, Pomerode, Rio dos Cedros, Rodeio e Timbó –, todos com forte influência europeia.

 

Ademir Winkelhaus, dirigente do Cimvi, Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí, que reúne os municípios integrantes da rota desde 2003 – oficializado, na prática, somente em 2006 –, explica que a grande diversidade de paisagens e de locais com apelo histórico, cultural e social, tão característicos dos povos que nestas cidades se instalaram, pedem, no mínimo, uma semana para a realização do roteiro. “São muitas as opções de passeios, museus, restaurantes e, ainda, pequenos desvios da rota nos quais é possível conhecer cachoeiras incríveis, cenários inusitados. Além dos 300 km originais, há pelo menos outros 20 km se considerarmos outros pontos de interesse. O tempo de percurso vai depender da disposição do viajante em explorar.”

 

Com a ascensão do turismo de aventura em todo o mundo, os integrantes do Cimvi vislumbraram a oportunidade de explorar os diversos esportes que podem ser praticados na região aliando-os às belezas naturais do Vale Europeu catarinense. Daí nasceu a ideia de desenvolver uma rota estruturada, conforme conta Cintia Kaestner Kopsch, organizadora do circuito de cicloturismo do Vale Europeu e guia de cicloturismo. “O Circuito Vale Europeu é fruto da união de muitas forças, como o Clube do Cicloturismo do Brasil, da Associação do Vale das Águas e do próprio consórcio intermunicipal.”

 

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Com o crescente número de turistas atraídos pelo passeio, foi a vez da criação do Velotour, um evento anual, inicialmente realizado na semana do Carnaval, mas que desde o ano passado – por conta da grande procura e da capacidade limitada da estrutura – passou a acontecer na semana do feriado de 15 de novembro. Todo planilhado e com roteiros onde constam informações sobre quilometragem, altimetria, grau de dificuldade e hospedagem, o circuito conta com setas amarelas e placas ao longo de todo o trajeto. E também garante autossuficiência ao ciclista, pois é todo autoguiado – basta acessar o site do circuito ou consultar o caderno de informações entregue em um dos pontos de partida, em Timbó.

 

O roteiro

 

Ponto de partida do Circuito Vale Europeu, Timbó fica a 30 km de Blumenau. Ali, no restaurante Thapyoka ou no Hotel Timbó Park, o cicloturista recebe o passaporte que, ao longo do circuito será preenchido por carimbos representando cada etapa conquistada – em geral, definidas em pontos turísticos em cada uma das cidades – para, ao final, obter um certificado de conclusão do circuito.

 

O percurso é dividido entre trechos de baixa ou maior altitude. O trajeto de Timbó a Pomerode, e depois até Rodeio, está na categoria mais leve, composto por retas e pequenos aclives e declives. Mas é bom aproveitar, pois a situação muda radicalmente alguns quilômetros à frente, entre Rodeio e Dr. Pedrinho, onde está o trecho de maior subida, com mais de 1.100 metros.

 

Além do circuito sugerido – Timbó, Pomerode, Indaial, Rodeio, Dr. Pedrinho, Alto Cedros, Palmeiras, retornando a Timbó – há muito mais a se explorar. Uma verdadeira miríade de opções de passeios e atividades, tais como observação de aves, esportes radicais (rafting, rapel, trekking e caminhadas para todos os gostos), gastronomia regional, produção artesanal de queijos e vinhos, cultura; é possível encontrar tudo isso e mais um pouco pelos 300 km de rota. As paisagens deslumbrantes, com araucárias centenárias típicas do sul do País, incrementam ainda mais o portfólio do Vale Europeu, que, situado em uma das regiões com maior concentração de nascentes do Brasil, dispõe de água natural no decorrer de praticamente todo o circuito.

 

O visual é complementado pela presença marcante das culturas alemã e italiana, principalmente na arquitetura, povos cuja imigração em grande escala em meados do século XIX se concentrou nos estados do sul do Brasil. A região reproduz fielmente suas origens e, de certa forma, é como se houvesse parado no tempo: carros de boi andando pelas estradas, pontes que remontam ao período colonial, e casas em estilo por aqui denominado Enxaimel – técnica originária do sul da Alemanha que consiste de paredes com travessas de madeira em diversas posições, visíveis no exterior da casa, dando um aspecto de colmeia à construção, e orna perfeitamente com o ambiente campestre. Há, inclusive, uma rota que homenageia o estilo, a Rota Enxaimel, assim como uma ponte pênsil e outra coberta sobre o Ribeirão Encano, em Indaial, que remontam à época dos colonos e foram recentemente reformadas.

 

Com o sucesso do Circuito Vale Europeu, muitos outros municípios catarinenses vieram a reboque. Hoje há diversas opções para o cicloturista, nos moldes da precursora, como o Circuito das Araucárias, com 248 km cruzando o interior do estado, e o Circuito Costa Verde, com 268 km, o primeiro do País a abranger litoral e interior, isso considerando-se apenas Santa Catarina.  

 

Escrita por Camila Waddington

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