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Cicloativista explica função do MobilidadeAtiva.org.br

Foto: Divulgação

Ciclistas engajados da cidade de São Paulo dispostos a agir para que a rede cicloviária não encolha e se expanda, bem como ativistas que batalham por calçadas melhores estão cansados de ser meros receptores de mensagens contidas em horário eleitoral gratuito ou espectadores passivos de debates entre candidatos à prefeitura. Com interesses em comum, eles se uniram e criaram a plataforma MobilidadeAtiva.org.br, que acompanha a discussão sobre os modos ativos de transporte (bicicleta e a pé) e têm a ambição de contribuir para melhorar o nível dela.

Entrevistamos Daniel Guth, diretor-geral do Ciclocidade (associação dos ciclistas urbanos de São Paulo) sobre o papel que os interessados nessas questões podem exercer ao longo do processo eleitoral e a respeito também dos objetivos e funcionamento da plataforma MobilidadeAtiva.org.br.

“Nossa principal motivação era qualificar o debate eleitoral. Comparamos a proposta oficial com o que é dito pelos próprios candidatos”, diz Guth, vencedor da última eleição interna da associação de bikers.

Os voluntários do MobilidadeAtiva.org.br se encontraram com os coordenadores responsáveis pela formatação dos programas de governo dos principais candidatos. O passo seguinte é monitorar o que é dito por aqueles que querem se sentar na cadeira de prefeito em entrevistas, sabatinas e debates eleitorais. Uma interessante constatação despontou.

“Nem sempre há relação entre programa e discurso. Em nenhum trecho do programa da Marta Suplicy, por exemplo, cita-se a pretensão de voltar a elevar o limite de velocidade. E ela diz isso a todo momento”, declara Guth.

 

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Os responsáveis pelo MobilidadeAtiva.org.br não contam o número de acessos ao conteúdo da plataforma, os chamados “cliques”. “Queremos que a plataforma seja mais uma fonte do que uma vitrine”. Muitos jornalistas utilizam o trabalho dos ativistas como fonte de informação e embasamento para produção de reportagens. Organizações empenhadas em checagem de dados, como o projeto “Aos fatos”, também recorrem a ele.

Por falar em fatos, Guth considera líquido e certo que o espírito da política de mobilidade urbana aplicada no último quadriênio será golpeado. “Tenho a certeza de que teremos retrocessos”, afirma, com semblante triste por baixo da longa barba. “Mas isso não quer dizer que esses retrocessos ocorrerão sem pressão. Não vamos reduzir nossa pressão”, avisa.

Antes de sorver mais um gole do café duplo coado que pediu antes de dar a entrevista, numa cafeteria perto da Avenida Paulista, ele elenca as armas a ser empunhadas pelos ativistas. “Ao nosso lado estão as leis. Os candidatos defendem coisas que estão em desacordo com legislações. Temos 30 anos de acúmulo de conhecimento sobre mobilidade urbana, de pressão, de luta. Ser prefeito não significa ter caneta e carta branca para fazer o que quiser”.

Tudo o que é dito pelos candidatos considerados relevantes (até Ricardo Young é visto dessa forma pelo Ciclocidade) é cruzado com a Agenda de Mobilidade Ativa construída pelo Ciclocidade e pelo Cidadeapé.

A Agenda da Mobilidade Ativa é um documento constituído por um conjunto de propostas de políticas públicas de promoção da mobilidade ativa que bebem nas fontes do Plano Municipal de Mobilidade, do Plano Diretor Estratégico e nas demandas dos dois grupos (Ciclocidade e Cidadeapé) vinculadas a marcos legais.

A análise de tudo o que é dito pelos candidatos a respeito de mobilidade os ranqueia. O ranking leva em consideração o que faz sentido numa cidade que precisa dar segurança a quem faz uso da mobilidade ativa.

Candidatos que desprezam as necessidades de quem faz uso da mobilidade ativa terão problemas, segundo Guth. “O candidato que não leva em conta essas necessidades terá problemas políticos, sociais e judiciais”.

O trabalho executado na plataforma é, na apreciação de Guth, controle e participação social. Essa experiência deve ser levada em conta, segundo ele, por outras comunidades capazes de se organizar em função de suas demandas.

A demanda dos cicloativistas é dividir democraticamente o espaço. “80% do espaço viário atende a menos de um terço dos munícipes, os carrodependentes”, diz Guth. “Você tem que tirar o privilégio da minoria”.

Depois da implantação da rede cicloviária, que hoje já supera a extensão de 400 quilômetros, que era a meta inicial de Fernando Haddad, o trabalho, no próximo quadriênio, deve se ater às conexões para interligar trechos hoje isolados da rede.

“A ligação desses trechos envolve uma gestão intersecretarial complexa”, diz Guth, referindo-se a diferentes secretarias municipais.

Antes de terminar seu café duplo, Guth reforça a advertência endereçada aos candidatos. “Quem se opuser à luta pela mobilidade ativa vai enfrentar reação. Não se trata de um capricho nosso. A oposição a essa luta põe em cheque toda a construção de uma agenda. Não queremos apenas evitar que se se reduza a rede cicloviária, queremos que se dê continuidade à expansão dela”.

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