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Raiza Goulão: vale tudo pela Olimpíada

Depois da ausência nos Jogos de Londres, a Confederação Brasileira de Ciclismo traçou um plano e direcionou investimentos para recolocar o País na prova feminina olímpica de mountain bike XCO (cross country olímpico). No dia 20 de agosto, a goiana Raiza Goulão vai alinhar sua bike para a largada no Parque Radical, em Deodoro, pondo fim a um jejum de oito anos.

Depois de a desbravadora mineira Jaqueline Mourão representar o Brasil nessa prova em Atenas-2004 e Pequim-2008, o país falhou na tentativa de se classificar para Londres-2012. O intento foi alcançado, mas uma rápida entrevista com Raiza demonstra que a CBC parece ter pecado pela falta de ambição. Explique-se: o planejamento não contemplou nenhuma ação após a conquista da vaga. Enquanto isso, as principais favoritas às medalhas olímpicas até reproduzem, em campos de provas nos seus quintais, em seus países, trechos do circuito de Deodoro, e treinam exaustivamente as linhas que devem percorrer nos rock gardens (jardins de pedras), por exemplo, que fazem parte do percurso olímpico de MTB.

“Até 25 de maio, quando confirmamos a vaga, o foco do trabalho estava totalmente voltado para isso. Participamos de diversas provas, com pouco tempo de recuperação entre elas, para pontuar e alcançar a vaga. Reproduzir trechos do circuito no quintal de casa, digamos assim, para treinar como fazer uma linha perfeita e ganhar segundos preciosos envolveria um planejamento da Confederação, que deixou um pouco a desejar nesse aspecto”, ataca a atleta olímpica.

Raiza, por sinal, deu um grande salto em sua evolução no MTB ao dar uma cartada importante: contratou o treinador holandês Tjeerd De Vries. Ela paga o profissional com recursos próprios. “Sai do meu bolso o pagamento dele. Achei importante dar esse passo. Realizei minha base de preparação no Brasil, e estava estagnada. Fui buscar na orientação dele uma forma de acabar com essa defasagem. Nos primeiros quatro meses, ele me treinou mais na base da amizade. Hoje, pago um valor simbólico. Simbólico pra ele, pra mim não é, porque o valor é em euro”.

De Vries, que é também médico do esporte e dirigente do Comitê Olímpico Holandês, foi treinador de Bart Brentjens, ouro em Atlanta-96 (primeira Olimpíada com MTB) e bronze em Atenas.

O interesse de Raiza em sua evolução chamou a atenção do holandês, segundo ela. “Sou muito dedicada e pergunto muito. Ele começou a analisar meus valores e passou a acreditar no meu potencial”, diz a ciclista, que estabeleceu como meta ser top-15 em Deodoro. Trata-se de algo plenamente viável para quem ocupa, no momento, a 13ª posição no ranking da União Ciclística Internacional. “Em Tóquio poderemos pensar numa meta mais elevada”, diz a atleta de 25 anos.

A preparação para Tóquio, no entanto, não deverá ser tão irrigada de recursos federais como foi a do atual ciclo olímpico, com uma Olimpíada no Rio como desfecho. “Infelizmente, no Brasil não se pode planejar o dia de amanhã. Tenho a opinião de que, depois da Olimpíada, vão parar de investir nos dois primeiros anos do ciclo olímpico e só retomarão nos dois últimos anos, quando poderá ser tarde”.

Enquanto isso, Raiza foca em todos os aspectos possíveis da preparação. Ela vai buscar o melhor ajuste fino de sua bike. O modelo fornecido pela marca que a patrocina, a Specialized, é a S-Works Era, uma full suspension (suspensão traseira e dianteira) aro 29 com câmbio Shimano XTR Di2 (eletrônico), enquanto a maior parte das melhores adversárias da brasileira vai de hard tail (suspensão apenas na roda dianteira). “Com full suspension, o equipamento fica mais pesado. Por outro lado, nas voltas finais, a falta de suspensão no pneu traseiro acarreta dores nas costas das adversárias, e talvez aí eu possa ganhar algum terreno”, anima-se Raiza.

No domingo (10), a goiana disputou sua última etapa da Copa Mundo de XCO antes dos Jogos do Rio 2016. Foi uma prova na Suíça, que reuniu as melhores atletas da modalidade. A brasileira terminou na 22ª posição, resultado que a deixou satisfeita pelo desempenho na competição. Agora é manter o foco e a preparação. As cinco semanas que a separam da data de sua estreia olímpica, segundo ela, serão consumidas com muito treino. “O ritmo de prova tem que estar na ponta da sapatilha”.

Justamente para ter ritmo, Raiza vai pedalar, neste domingo (17), em Juiz de Fora, uma disputa para conservar sua camiseta de campeã nacional. Com a Olimpíada já em seu transcurso, a goiana estará no Canadá, mais exatamente em Mont Saint-Anne, em etapa da Copa do Mundo. A chegada à Vila Olímpica vai se dar na mesma semana de sua prova, que será no dia 20 de agosto.

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