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Velódromo do Rio pode virar casa de espetáculos

Foto: Rio 2016/Alex Ferro

A comunidade ciclística brasileira, que ficou frustrada com o desmonte do primeiro Velódromo do Rio (aquele utilizado no Pan de 2007), voltou a se empolgar com a ideia de desfrutar o Velódromo construído para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Mas a notícia de que existe um risco de que a instalação seja transformada numa casa de shows deixou-a novamente em polvorosa e deprimida.

Cansada dessas idas e vindas, a comunidade não quer mais viver nessa montanha russa emocional. Afinal, são ciclistas e preferem as emoções da velocidade sobre duas rodas, e deslizar sobre o piso de pinho siberiano é um sonho que querem vivenciar.

Sob a liderança do presidente da Federação de Ciclismo do Estado do Rio, Cláudio Santos, a resistência busca apoio junto ao ministro do Esporte do governo interino, Leonardo Picciani, que é ciclista federado e participa de provas amadoras. A mobilização, aliás, não se restringe ao Velódromo.

A pista provisória de mountain bike de Deodoro é vítima da crônica de uma morte anunciada. Santos explica: “A pista foi construída numa área de treinamento do Exército, o que foi um grande erro. O prefeito Eduardo Paes poderia ter determinado que fosse construída num outro terreno um pouquinho mais pra cá ou pra lá, mas preferiu gastar o que gastou num terreno do Exército, que já havia avisado que iria acabar com ela depois, alegando que precisa voltar a utilizar aquela área para seus treinamentos”.

 

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Há petições eletrônicas, uma espécie de abaixo-assinado virtual, para defender esses dois novos, caros e perfeitos locais para prática do esporte. O ministro será convocado, segundo Santos, para defender o Velódromo, e negociações diplomáticas serão conduzidas com os militares.

“Não podemos comprar briga com o Exército”, avisa Santos, proferindo uma frase de efeito involuntária. “Tenho um amigo que é professor de ciclismo em Cabo Frio, o Josias Dias, que é militar. Ele se prontificou a me ajudar na negociação. Vamos formatar um projeto e encaminhar ao general que comanda aquela área. Queremos incluir as crianças da comunidade numa escolinha que a Confederação (Brasileira de Ciclismo, a CBC), vai bancar. Queremos também sugerir a criação de uma equipe de MTB do Exército. Não podemos ver essa pista ser destruída com os braços cruzados”.

Picciani, por meio de sua assessoria de imprensa, tentou tranquilizar a comunidade ciclística. “O Velódromo olímpico do Rio será mantido e funcionará como Velódromo.Todo o Parque Olímpico está em processo de concessão pela Prefeitura do Rio de Janeiro. No entanto, o Velódromo, o Centro de Tênis e a Arena Carioca 2 – que é o centro olímpico de treinamento; permanecerão como equipamentos para treinamentos esportivos, projetos de inclusão social, iniciação ao esporte e competições esportivas. E serão incluídos no projeto da Rede Nacional de Treinamento do Ministério do Esporte, com um calendário assegurado. A prefeitura fará isso nos três equipamentos e, inclusive, já assinou conosco um protocolo de intenções garantindo tal compromisso.”

Indagado se haveria demanda expressiva de ciclistas interessados em pedalar no Velódromo, por ser incipiente essa vertente do esporte no Brasil, Santos reage com certa fúria.

“Não tínhamos um único velódromo em boas condições em todo o nosso país. O que temos são pistas de cimento, esburacadas e abandonadas. Apenas em Londres, há quatro velódromos do mesmo nível desse que foi utilizado nos Jogos do Rio. A Inglaterra, uma ilha, conquistou seis medalhas de ouro apenas no ciclismo de pista. Será que o Brasil não tem condições de manter um único velódromo decente? Como o nosso ciclismo de pista vai se desenvolver sem velódromo bom? Essa instalação vai receber ciclistas do Brasil todo. Nosso material humano é bom, mas precisa treinar num bom local”.

Após um hiato de 24 anos, o Brasil voltou a classificar um ciclista, Gideoni Monteiro, para pedalar em competição olímpica de pista. Sem velódromo para se preparar adequadamente, o cearense criado em Sergipe foi despachado para o velódromo oficial da UCI, na Suíça, por seis meses, consumindo recursos expressivos. Em crise, o País que gastou R$ 3,7 bilhões para preparar sua delegação olímpica certamente despenderá uma fração desse montante no quadriênio que se encerra em Tóquio-2020.

A pista de BMX, bem como o circuito de canoagem slalom, serão parte do Parque Radical, segundo o projeto do Rio 2016. Jocosamente, Paes já declarou que a instalação de canoagem poderá ser utilizada para a prática de “esquibunda”.

O Velódromo, que custou R$ 143 milhões aos cofres federais (a obra foi contratada pela Prefeitura), é uma instalação climatizada, com capacidade para receber 5 mil espectadores. Localizada na Barra da Tijuca, perto de condomínios de alto padrão, a construção mais onerosa do projeto olímpico do Rio teria sido “arrematada” por um empresário, segundo o jornalista Roberto Salim, do UOL.

“Todos sabemos como são feitas as licitações neste país. Esse empresário vai ficar ainda mais milionário com uma obra feita para o esporte? Puxaram o nosso tapete”, diz Santos, ao VO2Bike. Picciani, que participa de provas como amador, e é federado, é a esperança dos ciclistas engajados na luta pelo velódromo.

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