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Idosa corre prova no Rio com coração transplantado de medalhista olímpico

Foto: Reprodução

Ivonete Balthazar esteve próxima da morte em agosto de 2016. Castigado pelo cigarro, o estresse gerado por anos de trabalho de uma agência de recursos humanos e um ataque cardíaco sofrido em 2012, o coração da carioca chegou a bater apenas 40 vezes em um minuto. No último dia 24, durante a Bimbo Global Energy, prova de corrida de rua realizada na praia de Copacabana, os batimentos estavam mais acelerados no momento em que Ivonete, de 67 anos, completou o percurso de 3 km. “Este coração exige mais do meu corpo do que eu estava acostumada”, afirmou.

O exigente coração em questão, na verdade, pertencia originalmente ao ex-canoísta alemão Stefan Henze, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, e bate no peito de Ivonete há pouco mais de um ano. Henze, de 35 anos, trabalhava como treinador da equipe alemã de canoagem nas Olimpíadas do Rio e morreu em um acidente automobilístico no Brasil. Os familiares do ex-atleta autorizaram a doação do órgão e acabaram com a espera de 18 meses da empresária por um transplante.

“Se eu não tivesse este coração, não estaria correndo. Esta corrida é um desafio para mim… e para ele”, contou ela à AFP, lembrando de Henze.

 

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A edição carioca da Bimbo Global Energy foi a primeira atividade física importante de Ivonete não monitorada por médicos desde o transplante. Sem saber se aguentaria correr os 3 km do percurso, preferiu não sobrecarregar seu novo coração e decidiu caminhar. Durante o caminho, ganhou confiança e aumentou a velocidade. As lágrimas de emoção surgiram em dois momentos da prova: quando notou que havia alcançado a metade do trajeto e no momento em que cruzou a linha de chegada.

A satisfação em concluir 3 km após quase perder a vida contrastava com a tristeza ao pensar na família de Henze. “Do outro lado, há toda uma família chorando.”

Após a conclusão da prova, Ivonete abraçou seus parentes e, como se fosse uma atleta olímpica que acaba de subir ao pódio, mordeu sua medalha. “É como se fosse de ouro para mim”, comemorou. O prêmio, claro, foi oferecido ao alemão que fez seu novo coração bater mais forte.

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