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Linda e perigosa ao mesmo tempo: a inóspita Ultra Fiord

Foto: Wladimir Togumi

A Ultra Fiord pode ser um conto de fadas prestes a se tornar um filme de terror. Tudo depende da forma como você a encara. Ela se destaca das demais provas de trail run pelo clima hostil, pelo terreno altamente técnico – talvez o mais difícil do circuito mundial – e pela natureza em seu estado bruto dos confins do extremo sul do Chile.

A quarta edição da prova acontecerá entre os dias 2 e 7 de abril deste ano, com distâncias de 167 km, 100 km, 70 km, 50 km, 42 km e 30 km, além da novidade que se torna tendência no calendário internacional, o “quilômetro vertical” (1.000 metros de desnível). Outro atrativo da competição é a presença dos melhores corredores do trail run. Nomes como Nikki Kimball, Xavier Thevenard, Gênis Zapater, Pere Aurell, Ragna Debats, Krissy Moelh, Jeff Browning, Britt Nic Dick, Candice Burt, Manuela Vilaseca e Tessa Roorda, entre outros da elite profissional, já competiram em pelo menos uma de suas três edições.

Na Ultra Fiord a altimetria não é o grande problema, mas sim o que se encontra sob seus pés. São terrenos de terra batida, pedras, charcos até o joelho, minipântanos, gelo, neve, córregos, rios e lagos a serem percorridos.

Além do clima frio (entre –5°C e 5°C), com chuviscos, neve, névoa e, de uma hora para outra, uma rajada de vento vindo do Polo Sul. É um percurso solitário, com um corredor passando aqui, outro ali… O aspecto psicológico tem de estar bem preparado, assim como o físico e o logístico.

 

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“Os corredores devem estar treinados para todas as condições meteorológicas e de terreno possíveis. Eu recomendaria essa competição para quem está em busca de uma verdadeira aventura. Você precisa de um espírito resiliente, que teste seus limites físicos e mentais”, relatou Krissy Moehl, campeã das famosas Ultra Trail du Mont Blanc e Ultratrail Mt. Fuji e finalizou os 100 km em 19h31min27s, sendo a quarta colocada na categoria geral da Ultra Fiord.

Os pontos de apoio e PCs (postos de controle) são bem distribuídos ao longo do percurso e oferecem isotônico, sopa, fruta e até chocolate. Entretanto, o corredor deve ter em mente que se trata de uma prova de autossuficiência. Ou seja, precisa fazer seu pequeno estoque de provisões entre um PC e outro (a cada 12 km há um PC, independentemente da distância escolhida).

Outro item mandatório para participar da Ultra Fiord é não desprezar nenhum item de segurança e acessórios obrigatórios para encarar o percurso. Ao se inscrever, a organização envia uma lista com todos esses itens, que você deve possuir no momento da competição.

Na natureza selvagem

No trail run é bastante comum sofrer alguma torção ou queda durante uma prova ou treino, o que leva a três tomadas de decisão: seguir em frente até o próximo PC; voltar até o PC anterior; ou esperar o resgate em um ambiente congelante e muito provavelmente úmido. Em provas de percurso remoto como a Ultra Fiord, o resgate pode levar horas. Dessa forma, a única coisa a ser feita é manter a calma – e ouvir sua playlist favorita enquanto espera.

É justamente o fato de ser tão incerta quanto ao destino final que torna a Ultra Fiord uma prova que atrai pessoas de quase 40 países em busca de um desafio único. A norte-americana Candice Burt, campeã dos 100 km na edição inaugural, resumiu bem o espírito da experiência: “Foi a corrida mais difícil que já fiz e quero voltar!”. 

Palavra de campeã

Manuela Vilaseca é uma das melhores atletas brasileiras de trail run. Bicampeã dos 70km da Ultra Fiord, Ela dá algumas dicas para quem está namorando o desafio:

Como você compara a Ultra Fiord com as outras corridas de que já participou?

Comparada às provas na Europa, por exemplo, a Ultra Fiord não exige muito do corredor. O clima é um fator determinante que pode transformar um percurso relativamente simples em uma dura saga. No extremo sul da Patagônia, o clima pode virar rapidamente e as temperaturas baixas podem castigar os corredores de forma severa.

Durante a maior parte do percurso da Ultra Fiord você corre sozinho. Como lidar com essa solidão?

Creio que isso apavora ao mesmo tempo que atrai os corredores. Eu gosto de estar sozinha no meio do nada, mas tenho consciência de que um erro pode ser fatal. Esse tipo de situação me impõe respeito, e acho que é isso que tenho em mente quando estou correndo na Ultra Fiord. Jamais deixaria de levar um equipamento por achar que não irei precisar. Em uma das edições eu parei para esperar um corredor que estava atrás de mim para que seguíssemos juntos. É uma prova na qual você precisa ser responsável e prudente do início ao fim.

Em sua opinião, quais são as principais precauções que um corredor deve tomar para estar seguro na Ultra Fiord?

A maior precaução de segurança na Ultra Fiord é contra o frio. O corredor tem de estar preparado para conseguir manter-se abrigado no caso de se perder ou ter de esperar um resgate. Essa capacidade pode salvar sua vida.

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