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Brasileira corre meia na Coreia do Norte em meio a ameaças de guerra

Foto: Arquivo pessoal

Governada por uma ditadura comunista desde os anos 1940, a Coreia do Norte é sinônimo de isolamento e representa um mistério para o mundo ocidental. Não mais para a advogada brasileira Mariana Peternelli, que, no último fim de semana, pôde conhecer de perto como é a vida no país asiático e aproveitou a visita para disputar o percurso de 21 km da 28ª edição da Maratona de Pyongyang, prova encarada pelo governo como uma grande celebração ao esporte nacional.

O interesse de Mariana pela Maratona de Pyongyang ganhou força enquanto a advogada bebia em uma cervejaria em Pequim, na China, onde mora há quase dois anos. Ela reparou que a bolacha na qual apoiava seu copo continha o anúncio da prova norte-coreana. A divulgação era uma ação da Koryo Tours, agência de viagens britânica que organiza pacotes para a Coreia do Norte.

Mariana, de 36 anos, entrou em contato com a embaixada brasileira em Pyongyang para verificar se sua inscrição na corrida seria permitida e recebeu o aval. Por ter passaporte diplomático – é casada com um diplomata que atua na China –, o melhor caminho seria ir por conta própria. Ela comprou a passagem e, convidada por um diplomata brasileiro que vive na Coreia do Norte, teve seu visto emitido para entrar no território de de Kim Jong-un, o excêntrico líder dos norte-coreanos.

A advogada desembarcou em Pyongyang na tarde do dia 7 de abril e teve a primeira surpresa logo nos primeiros minutos. No aeroporto, militares locais confiscaram jornais chineses e pediram para que os visitantes declarassem se portavam celulares ou o teor dos livros que carregavam. Ela recebeu autorização para fotografar o que quisesse, exceto militares e bases militares. O acesso à internet é proibido na Coreia do Norter.

“Quando eu saí do aeroporto, a sensação foi de estar em ‘O Show de Truman’ [filme estrelado pelo ator Jim Carrey], onde tudo é perfeito e lindo. Me impressionou também o aeroporto. Todos os portões têm ‘fingers’ [dispositivos que fazem a ligação entre os aviões e os terminais]. É algo extremamente moderno, achei que fosse tudo sucateado. Na verdade, é tudo muito limpo e organizado”, conta.

 

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Antes da prova, Mariana recebeu uma recomendação da organização da Maratona de Pyongyang de que símbolos ou estampas muito grandes estavam vetadas. A advogada viu uma série de competidores correndo com camisas de clubes europeus, o que a fez imaginar que a preocupação dos organizadores seria alguma referência clara aos Estados Unidos ou alguma mensagem com conteúdo ofensivo. Nos museus e em outros passeios turísticos, as situações que envolvem o país governado por Donald Trump são acompanhadas de comentários que tratam os norte-americanos como “imperialistas”.

Enquanto Mariana se preparava para correr os 21 km, Trump afirmou que enviaria tropas poderosas à Coreia do Norte. Representantes de Kim Jong-un responderam que o governo conta com “a poderosa força das armas” para responder às investidas adversárias. Assim como os norte-coreanos, a brasileira não soube do possível ataque ao país comunista. “Não tem jornal, não tem nada. O diplomata que me recebeu sabia [da declaração de Trump], mas, como eu fui embora na segunda-feira e não daria tempo do exército norte-americano chegar lá, ele preferiu não falar nada”, disse, acrescentando que seus familiares ficaram preocupados com o fato de o clima tenso entre os dois países coincidir com sua visita.

Apesar do contexto bélico, o mês de abril é marcado por uma série de celebrações na Coreia do Norte. Comemorado no próximo sábado (15), o 105º aniversário do nascimento do fundador do regime, Kim Il-Sung, gera grande mobilização nacional. Os rostos dos Líderes Supremos, como são conhecidos os governantes, estão espalhados por todos os cantos da cidade. Além de estátuas e monumentos, existem fotos deles nos prédios públicos e nos vagões do metrô. “Eles são venerados como se fossem Deus. É um culto à imagem deles mesmo”, observa a advogada.

Iniciada e finalizada no estádio Kim Il-Sung, que leva o nome do homem que iniciou a ditadura, a Maratona de Pyongyang integra o calendário festivo e tem três percursos à disposição dos corredores – 10 km, 21 km e 42 km. Mariana optou pela meia-maratona, trajeto que ela precisou de 2h36min para completar.

Às 8h do domingo, pouco antes do início da prova, houve um discurso nacionalista, que não demorou mais do que alguns minutos. Com capacidade para 50 mil pessoas, o estádio estava repleto de estudantes universitários. Durante o percurso, que não conta com nenhuma subida muito íngrime, a brasileira foi muito incentivada pelo povo local.

“Havia bastante gente na rua incentivando. Algo que me chamou a atenção foi que eles davam tchau, botavam a mão para dar ‘high five’, sorriam. Sempre que passava um norte-coreano, eles aplaudiam. Quando eram os estrangeiros, eles gritavam. Vi blocos de pessoas incentivando durante todo o meu percurso. Eram crianças, famílias, idosos. As pessoas estavam vibrando pelos estrangeiros. Para eles, é uma festa. Dizem que é a única época do ano em que os estrangeiros podem andar com alguma liberdade pela rua, porque, fora isso, tem que estar com o guia em algum grupo”, disse.

Assim que finalizou a prova, antes mesmo de beber água, Mariana foi abordada por um funcionário do Ministério do Turismo local e questionada – educadamente, ressalta ela – por estar “livre e solta”, sem a presença de um intérprete. Resolvido o incidente diplomático, ela ganhou seu inusitado prêmio de participação: uma toalha.

Depois que o evento foi dado oficialmente como encerrado, ela foi em busca de seu verdadeiro prêmio: a combinação entre o churrasco norte-coreano, feito com carne de cordeiro e uma cerveja local.

Mariana na Maratona de Pyongyang

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