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Por que a Maratona de São Paulo é a mais difícil do Brasil?

Foto: Sérgio Shibuya/MBraga Comunicação

“Existem duas reações possíveis para o corredor que disputa sua primeira maratona em São Paulo: ou fica traumatizado e nunca mais disputa uma prova do tipo ou pega gosto e vai em frente”. A frase do corretor de seguros Rodrigo Previatti, que já disputou 16 maratonas em sua vida, traduz o pensamento de muitos corredores amadores quando o assunto é a Maratona de São Paulo, considerada a mais difícil do país.

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Maratona brasileira com o maior tempo médio de conclusão para homens e mulheres em 2016 – 4h31min23 e 4h54min56, respectivamente, de acordo com dados levantados pelo bacharel em Esporte e Nutrição Danilo Balu –, a prova paulistana, marcada neste ano para 9 de abril, é um calvário para os atletas por dois motivos: o calor e o percurso complicado.

Mesmo sendo realizada em quatro meses diferentes de 2011 em diante – abril, maio, junho e outubro, todos fora do verão –, a Maratona de São Paulo, nos últimos anos, tem as altas temperaturas como uma espécie de elemento fixo.

“Nos dias anteriores, pode até fazer uma temperatura mais amena, mas, na data da prova, nunca vi o termômetro abaixo de 34 graus. Em 2016, a temperatura bateu em 39 graus”, relata Luís Fernando Dias, treinador da assessoria esportiva Ztrack e que se prepara para sua sexta participação na maratona.

O lamento de Dias sobre o clima é compartilhado por Rodrigo Previatti. O corretor de seguros também vê o calor como um dos fatores responsáveis pelo maior tempo médio na Maratona de São Paulo em relação às maiores provas de 42km do Brasil. “Interfere muito. Já fiz em abril, em junho… Quanto mais para o começo do ano, pior. Em abril, tenho certeza que estará bem quente”, prevê Rodrigo, pessimista.

Segundo Previatti, que já disputou a prova três vezes, uma solução seria antecipar o horário de início da prova. “O único jeito que eu vejo é largar às 5h ou às 5h30. A rua estará fechada do mesmo jeito. Largando depois, como é agora, o corredor pode passar pelo km 30 às 11h, 11h30, no ápice do calor”, acrescenta.

Túnel Jânio Quadros, “a visão do inferno”

O trajeto também é alvo de muita atenção entre os corredores. Há, entretanto, um ponto específico que é tratado como pesadelo pelos maratonistas: o Túnel Jânio Quadros, que liga a região do Jóquei à Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim Bibi, na zona sul. Os 1.900 metros de extensão do trecho entram na prova em um momento delicado, por volta do quilômetro 37, quando o físico dos atletas já está castigado.

“Aquele túnel é a visão do inferno. Ali você vê muita gente caída, ambulância para cima e para baixo, não tem estímulo algum. É uma parte difícil. A última subida que chega na Juscelino [Kubitschek] é cruel”, avalia Previatti.

 

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“O túnel do quilômetro 37 é pesado. Tem a questão do calor, já que o túnel é abafado, o pessoal tem cãimbra, você vê a galera se alongando, as pessoas andando. Por estar fechando a prova, ali é um momento de raça. Você já vem no calor e lá dentro é quente”, reforça Dias.

O Túnel Jânio Quadros, segundo a dupla, não é o único dos problemas que envolvem o percurso. A falta de estímulo externo, resultado do número baixo de pessoas prestigiando a maratona nas ruas, é tratada como outro obstáculo da Maratona de São Paulo. A avenida Juscelino Kubitschek, repleta de escritórios comerciais, está vazia aos domingos, assim como a USP, o que provoca desânimo entre os participantes.

A falta de incentivo durante a Maratona de São Paulo é mais notada por quem já disputou uma maratona no exterior. Com oito provas fora do país na bagagem, Previatti diz que a “atmosfera para as provas no Brasil é zero”.

“Para quem não disputa maratona toda hora, a questão do incentivo faz muita diferença, sobretudo do 20º km em diante. Em Chicago, você vê muita gente gritando e faz a maratona como se estivesse correndo 10 quilômetros. É impressionante. No Rio, para os padrões brasileiros, é um pouco melhor, porque tem gente na orla. Em São Paulo, você só vê o público quando estiver chegando no Ibirapuera [local da linha de chegada]. Ali eu não preciso de mais ninguém para me motivar”, conta, rindo.

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