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Fôlego de atleta e tiros de 18 km/h: a preparação física de um árbitro de futebol

Foto: Divulgação

Vida de árbitro de futebol não é nada fácil. Eles são vaiados, xingados por milhares de pessoas e têm a honra questionada constantemente. Uma falha por uma questão de centímetros toma proporções gigantescas. O fato de os erros não serem digeridos faz com que os árbitros se vejam na obrigação de ter um preparo físico cada vez melhor.

Em uma partida de futebol, um árbitro pode correr mais do que um jogador. Estudos científicos feitos pelo fisiologista Turíbio Leite de Barros, que trabalhou no São Paulo Futebol Clube durante 25 anos, apontam que um atleta profissional corre entre 9 e 11 km por partida. A média de um árbitro da Federação Paulista de Futebol (FPF) é um pouco maior: gira entre 10 e 12 km.

Mas há quem vá além. Na partida que deu ao Brasil a inédita medalha de ouro no futebol nos Jogos Olímpicos, contra a Alemanha, no ano passado, o árbitro iraniano Alireza Faghani rodou o equivalente a uma meia-maratona no gramado do Maracanã. Durante os 90 minutos, ele correu 14 km. Na prorrogação, antes dos pênaltis que selaram a conquista verde e amarela, percorreu outros 7 km em dois tempos de 15 minutos.

A atuação de Faghani no Maracanã ficou conhecida entre outros árbitros como uma referência de desempenho. O iraniano completou uma quilometragem longa sem apresentar um desgaste físico alto, fator que diminui o nível de concentração e favorece o surgimento de erros nas marcações.

“O físico interfere na parte mental. Bem condicionado, você está próximo ao lance e com os batimentos cardíacos equilibrados. Um árbitro mal condicionado chega ao lance com o batimento cardíaco alto e fica com a parte mental prejudicada. Por que os equívocos de arbitragem acontecem mais no final dos jogos? A atenção vai diminuindo. Quanto mais oxigenado o cérebro, maior a concentração”, analisa Lucas Bellote, que apitou jogos da Série A-1 do Campeonato Paulista neste ano, trabalha como personal trainer e é sócio-proprietário da empresa de gestão esportiva Quality Ville.

Os dois principais pilares para uma boa arbitragem são a proximidade e o ângulo. Para ter uma visão adequada dos lances, que varia de 5 a 15 metros de onde está a bola, os homens do apito investem no aprimoramento físico para acompanhar o ritmo de atletas cada vez mais fortes e resistentes.

 

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Treino de árbitros de futebol

Bellote, de 27 anos, segue à risca as recomendações físicas da FPF com relação ao treino de árbitros de futebol. Mantém o percentual de gordura na casa dos 10%, aposta no fortalecimento do core (a região da coluna e do abdômen), intercala treinos intervalados com regenerativos e participa de exercícios de propriocepção, relacionados à capacidade do indivíduo de identificar e perceber seus movimentos articulares no espaço. Também costuma correr 12 km a um pace de 4min40s – ritmo que, mantido continuamente, o levaria a rodar cerca de 19 km durante os 90 minutos de uma partida de futebol.

Em sua pré-temporada, Bellote insere mais volume de corrida para aumentar sua capacidade cardiorrespiratória. Ele se prepara para correr até 15 km por jogo – a “gordura” na distância é calculada para evitar a fadiga e minimizar a chance de erros. Após o encerramento do campeonato estadual, há uma intertemporada, época em que o árbitro trabalha mais tiros curtos.

São duas séries de tiros curtos que integram o teste físico para os árbitros da FPF. A primeira é composta por 48 tiros de 75 metros em até 15 segundos, em uma velocidade média de 18 km/h. No descanso, eles percorrem 25 metros em 20 segundos.

O segundo item do exame vem com seis tiros de 40 metros em até 6,2 segundos, com recuperação de 1min30s. Quem não é aprovado no teste físico da FPF pode ficar até seis meses sem apitar uma partida.

Yoyo test

Os árbitros têm na mudança de direção na corrida um dos principais desafios físicos dentro de campo. Não basta correr em um ritmo forte na maneira convencional. Também é preciso saber correr de costas, de lado e na diagonal – e isso faz parte do treino de árbitros de futebol. O Yoyo test, desenvolvido pelo fisiologista dinamarquês Jens Bangsbo, ajuda os homens do apito na simulação das trocas de rumo nos gramados.

No Yoyo test, os árbitros enfrentam situações compatíveis com as que podem ter durante os jogos. Eles aceleram e desaceleram em distâncias curtas, se deslocando para pontos espalhados pelo gramado. A intensidade é controlada a partir de um som semelhante ao de um apito e, com o tempo, as mudanças de direção devem ser realizadas em um intervalo menor.

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