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O sentimento da primeira maratona: da preparação à conclusão

Atualizado em 28 de julho de 2017
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Não sei vocês, mas eu respeito longas distâncias. O que quero dizer com isso? É que não acredito que qualquer um deva se aventurar nos 42.195m e nem que a distância deva ser subestimada, virando a primeira meta de um corredor. Maratona exige respeito, sim, senhores!

Um dos principais problemas que tem lotado os consultórios médicos e clínicas de fisioterapias nos últimos tempos é a queima de etapas por parte do corredor em relação às provas que participa. O corredor começa no esporte e, com poucos meses de rodagem e geralmente sem qualquer tipo de acompanhamento, já quer virar “maratonista” porque assim o ego exige.

É a tal da banalização da maratona. O importante não é chegar bem e pronto para um novo desafio meses depois, mas, sim, ostentar a medalha nas redes sociais, mesmo que para isso o corredor coloque sua integridade física em jogo.

São os likes da “geração superação”. Basta completar a nobre distância, trocar o seu sobrenome pelo título de “maratonista” e pronto: “vira” maratonista mesmo que nunca mais calce um tênis.

O sentimento de concluir uma primeira maratona de forma digna é indescritível. Esqueça a imagem da Gabriela Andersen, aquela que chega cambaleando nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984, cena que até a atleta se arrepende de ter protagonizado, segundo suas próprias palavras.

 

 

Chegar bem é chegar altivo, com sua respiração cansada, mas não em colapso. Chegar bem é chegar lento, mas sem forçar e vir mancando nos últimos quilômetros. Chegar bem não é dizer “como sofri”, mas pensar “fui bem demais!”.

Para conseguir o sucesso, a regra fundamental é treinar. Digamos que um corredor comece a treinar em janeiro. Para ele, é plausível, embora não aconselhado, estrear na distância um ano depois. Regrinha dois: tão importante quanto treinar é não queimar etapas. Deve-se começar com provas até 10 km e, progressivamente, no espaço de 12 meses, quiçá, completar sem andar umas três meia-maratonas.

A partir desse lastro, você conseguirá fazer com que o corpo assimile o esforço e poderá alçar voos mais altos, como aqueles longos de 30 a 34 km, a depender da metodologia do seu treinador no ciclo para a maratona.

A premissa básica é que treinos com constância formam o alicerce do tripé do treinamento desportivo, que ainda conta com a alimentação e o descanso como aliados.

Testar tudo que será usado durante a primeira maratona é outra dica bem útil. Nada de estrear aquele novo gel sabor abóbora no dia da prova. Utilize ele nos treinos. Desceu bem? Aprovado. Causou indisposição? Troca de marca, de sabor…

O mesmo critério deve ser utilizado para a escolha de tênis e equipamentos. Vale a pena amaciar um modelo na sua corrida diária para ser utilizado na maratona. Se até a maratona não puder comprar um modelo igual, intercale-o com outros pares para que o “eleito” chegue apto a te levar até a linha de chegada em boas condições.

O sentimento de terminar a primeira maratona e já na linha de chegada pensar qual será a próxima é muito mais gratificante do que pensar se o seu convênio médico autorizará uma ressonância ou uma tomografia, consequências de quem optou pelo ego de cruzar a linha de chegada a qualquer custo.

Completar bem uma maratona é saber que seu tempo de recuperação será curto. É saber que você corre por saúde, e não dela.