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Respirar no final da prova ou não: eis a questão

Antes de qualquer coisa, assistam à prova abaixo.

Caso você ainda não tenha identificado, trata-se de uma das mais ferozes batalhas da história da natação: os 100m borboleta dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, prova na qual Michael Phelps derrotou o sérvio Milorad Cavic por um centésimo e garantiu sua sétima de oito medalhas de ouro naquela competição.

Agora, vejam o vídeo a seguir.

Prova parecida, do Mundial de 2009, quase tão histórica quanto a anterior. Phelps mais uma vez bateu Cavic no final da prova.

Além dos óbvios fortíssimos primeiros 50 metros do sérvio e do atropelamento na chegada do americano, há um ponto em comum muito interessante entre as duas provas.

Cavic, que durante toda a prova mantém um padrão de dois por um (a cada dois ciclos de braçadas, uma respiração), resolve não respirar nenhuma vez nas últimas cinco braçadas, totalizando mais de dez metros no final da prova.

O sérvio, dessa forma, levou ao extremo a famosa sugestão dos técnicos, de jamais tirar a cabeça d’água para respirar nas últimas braçadas.

Há quem diga que foi justamente por isso que ele perdeu ambas as provas.

Ao ficar tanto tempo sem respirar, ele teria potencializado a fadiga muscular e, dessa forma, perdido rendimento nas últimas braçadas – principalmente na última, que visivelmente é mais curta na prova de 2008, favorecendo a ultrapassagem de Phelps.

Então será que não vale a pena ficar sem respirar no final da prova?

Com vocês, Caeleb Dressel e seu recorde das 100 jardas borboleta no NCAA deste ano:

Dressel, um dos grandes velocistas dos Estados Unidos e uma das maiores revelações do país nos últimos anos, derrotou ninguém menos que Joseph Schooling, o atual campeão olímpico dos 100m borboleta.

E, tão impressionante quanto isso, nadou a última piscina, ou seja, as últimas 25 jardas, sem levantar a cabeça para respirar uma vez sequer.

Tudo bem, sabemos que 100 jardas é diferente de 100 metros, e há uma grande diferença de nadar em uma piscina de 25 jardas, na qual a prova tem três viradas, e em uma piscina de 50 metros, com apenas uma virada.

Mas 25 jardas correspondem a mais de 20 metros. E experimentem ficar essa distância sem respirar após nadar mais de 70 metros ao seu máximo. E nadando borboleta.

A estratégia foi tão bem sucedida para Dressel que foi justamente aí que ele ultrapassou Scholling, que liderava até a última virada.

Após a prova, o americano declarou que utiliza essa estratégia desde que passou a ser treinado por Gregg Troy na Universidade da Flórida, ou seja, desde o segundo semestre de 2014.

Enfim, a questão é: é melhor bloquear as últimas braçadas da prova, como fazem Cavic e Dressel, ou manter seu padrão de respiração da prova inteira, como fazia Michael Phelps (que, por sinal, respirava em todos os ciclos de braçadas)?

A resposta, como sempre, é: depende.

Um excelente artigo do site Swimming Science disserta sobre essa questão.

O texto enfatiza que, apesar de ser praticamente estabelecido que não respirar no início da prova não apenas limita o oxigênio fornecido aos músculos como também causa fatiga muscular inspiratória, ainda não é muito bem conhecida a influência de não respirar no final da prova na fatiga muscular e inspiratória.

Além disso, é preciso tomar cuidado com os apagões (desmaios) devido ao esforço feito por tanto tempo sem respirar.

Enfim, o que serve para alguns nadadores não serve para outros.

Caso queira experimentar, converse com seu técnico e comece aos poucos nos treinos.

Mas, sem treinamento, jamais façam em casa o que fazem Milorad Cavic e Caeleb Dressel.

Como diz a música do AC/DC, “é um longo caminho até o topo se você quer o rock and roll”.

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