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Treinador Subaquático

 Considerado uma das maiores autoridades do mundo em treinamento desportivo, o especialista em biomecânica Rein Haljand, da Estônia, fez uma verdadeira revolução nos métodos de avaliação da natação mundial, através da técnica de filmagem subaquática.

Haljand foi integrante da equipe russa durante 21 anos e, após o fim da União Soviética, teve a oportunidade de estudar e avaliar atletas das grandes seleções. Em sua base de dados, ele conta mais de um milhão de vídeos com informações sobre alguns dos maiores nomes da natação mundial, entre eles, ninguém menos que os medalhistas olímpicos Ian Thorpe, Inge de Bruijn e Yana Klochkova.

Utilizando equipamento de filmagem em suas avaliações, Haljand faz questão de realçar que não existe nadador perfeito e que a criatividade é fundamental.

-A perfeição não existe, por isso, faço críticas aos melhores e mais famosos nadadores do mundo. Recentemente, estive na Austrália e fiz algumas observações na avaliação do Ian Thorpe. Eu defendo que cada nadador seja criativo procurando seu melhor jeito de nadar, sua melhor forma de obter ganho de resultados, segundo suas características. O australiano Michael Klim, por exemplo, usa elementos próprios como uma ondulação por debaixo d-água que ele inventou e que dá certo com ele, mas não necessariamente dará com outros. Mudar esse estilo poderia ser prejudicial ao seu desempenho”, afirma Haljand, que, à convite da CBDA, esteve no Brasil em duas ocasiões (2002 e 2003), onde observou as saídas e viradas dos integrantes da Seleção, que disputou a Copa do Mundo da Natação de 2002.

Treinamento detalhado

Os testes consistem em avaliação prática do principal estilo do atleta, por intermédio de filmagem de saídas, viradas e análise em computação gráfica, além de reuniões com os próprios nadadores e seus respectivos treinadores.

Este trabalho foi um complemento ao programa de preparação da equipe brasileira para os Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e o Mundial de Barcelona.

O trabalho de Haljand prossegue com entrevistas com os atletas e seus respectivos treinadores, quando compara, através de gráficos computadorizados, a performance de cada um com a dos melhores nadadores do mundo em determinado estilo.

Perguntado se durante as entrevistas dá conselhos aos técnicos para melhoria de performance, Haljand é enfático: -Tenho o meu método de treinos e de correção de falhas, mas acima de tudo há o livre arbítrio. Passo dados e infor-mações, mas cada profissional deve avaliar onde cada detalhe pode ajudá-lo ou não. As avaliações que faço quanto às viradas e saídas são fundamentais e têm que ser monitoradas freqüentemente. Mas outros fatores também são decisivos para a conquista de uma medalha, como o psicológico e os exercícios fora d´água-, conclui o Dr.Haljand, cujos testes no Brasil custaram em torno de US$ 150.

Na primeira avaliação feita no Rio de Janeiro, alguns nadadores se mostraram surpresos com o resultado. -Minhas viradas tinham menosde 30% de acerto. Depois da avaliação, treinei muito e sinto que realmente estou nadando mais facilmente-, disse Mariana Brochado nadadora do Flamengo e integrante do revezamento 4x200m livre nos Jogos de Atenas.

Para o treinador da AESJ, de São José dos Campos, SP, Marcelo Vaccari, a análise biomecânica é fundamental para o trabalho com atletas de alto nível. -Temos que aplaudir a iniciativa da CBDA, porque uma avaliação como essa não só nos auxilia na correção das falhas, mas também facilita o trabalho, já que, a partir dos dados, programamos as séries com base nas deficiências de cada atleta-, explica Vaccari.

O ex-nadador Gustavo Borges, que encerrou uma vitoriosa carreira após os Jogos de Atenas, já havia feito algo semelhante no intervalo entre os Jogos Olímpicos de Barcelona e Atlanta, competições em que conquistou medalhas individuais.

-Já fiz esse tipo de análise entre1992 e 1996, com os métodos existentes na época, que não podem ser comparados à sofisticação do que foi feito em 2002. E para provar a importância de tais testes, tive um ganho de quatro centésimos, que pode parecer pouco significativo, mas é a diferença entre estar ou não num pódio olímpico-, disse Borges.

Por Fernanda Espíndola
(Revista Natação Hammerhead)

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