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Corremos em Cascais, a nova capital do mundial do Ironman por uma semana

Há poucos dias, foi confirmada uma das notícias que mais repercutiram dentro do ambiente do triathlon mundial: a cidade portuguesa de Cascais, que até este ano só contava com o Ironman 70.3, terá em 2020 também um Ironman full. As duas competições ocorrerão no mesmo fim de semana, tornando o local a capital mundial do esporte por alguns días.

A edição inaugural do Ironman Portugal-Cascais será no sábado 26 de setembro. No dia seguinte, a cidade recebe o Ironman 70.3 Cascais, uma das provas do calendario mais desejadas pelos brasileiros.

Ironman Portugal: o sonho se torna realidade

Os atletas que irão participar do Ironman Portugal enfrentarão uma volta de 3,8 km de natação entre a Baía de Cascais e o Estoril, saindo da água no Clube Naval de Cascais em frente à Fortaleza.

Depois da transição para a bicicleta, os atletas seguirão para um percurso único de ciclismo de 180,2 km que os levará pela estrada da Praia do Guincho até Sintra, entrando no Autódromo do Estoril. Os atletas terminarão o segmento de ciclismo com duas voltas mais curtas em estradas planas junto ao Oceano entre Lisboa e Cascais.

A competição termina com uma maratona de corrida com 42,2 km realizada em três voltas, com início em Cascais, seguindo a linha costeira pela estrada do Guincho até o Cabo Raso e de volta a Cascais.

“Para mim, isto é um sonho se tornado realidade. Em 2017, colocamos Cascais no mapa internacional do triathlon. Agora, estamos a ampliar este legado com um evento de distância completa. Estamos ansiosos por criar momentos memoráveis para os nossos atletas e um enorme impacto econômico e esportivo em Portugal”, afirmou Jorge Paulo Pereira, diretor do Ironman Portugal.

Antes do surpreendente anúncio, e graças ao convite de Turismo Cascais, Ironman Portugal e o apoio da TAP, a O2 participou do Ironman 70.3 de Cascais para conhecer com detalhes como é a competição, em primeira mão.

Ironman 70.3 Cascais, passo a passo

É uma lógica bastante comum entre os triatletas amadores: escolher duas provas-alvo, uma por semestre, para conseguir encaixar um bom ciclo de treinamento antes de cada missão, sem esquecer do descanso entre uma e outra. Isso, claro, se essa meta for possível economicamente, porque sabemos que o triathlon não é um brinquedo barato.

Com o Ironman 70.3 Bariloche superado em março, na imponente Patagônia, era hora de escolher o desafio do segundo semestre.

A ideia, desta vez, era optar por uma prova um pouco mais plana e, portanto, mais veloz, para melhorar o tempo que em Bariloche foi às alturas (a beleza do cenário o justificou e muito). Estava quase tudo decidido, tínhamos a prova que acreditávamos ser perfeita, junto a um grupo de atletas da minha assessoria, só faltava comprar as passagens. No entanto, foi também o momento de colocar algumas coisas no seu lugar e, nesta breve mutação, chegou uma mudança de equipe.

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Um novo treinador, diferentes metodologias e formas, outra mentalidade. E, de repente, outra competição, Ironman 70.3 Cascais, em Portugal. Surgiu assim, de sopetão. Não era plana, então não seria veloz. No entanto, as subidas e descidas, o vento no alto das serras e o provável calor durante a corrida pareciam valer a pena.

Em sua terceira edição dentro da franquia Ironman, a prova estava ficando conhecida por dois aspectos: ter o circuito mais belo da distância e também por ser o 70.3 que mais cresce na Europa. Eram esperados 3 mil atletas, parque lotado. Tinha que ser essa a minha escolha.

Investigando, fui conhecendo a cidade, que parecia mágica. A facilidade de conexão com Lisboa (apenas uns 20 minutos de carro) nos conduziu a um estado de tentação absurdo. Outra vez, quase de repente e graças às gestões do mais que eficiente Jorge Oliveira, diretor do Ironman Portugal, entramos em contato com a secretaria de turismo da cidade que, em seguida, se colocou às ordens da O2, tornando a nossa viagem possível.

Sabendo que ali nos esperava a aventura, acertamos a preparação e, apesar de algumas dores lombares pouco antes da competição, tudo parecia estar sob controle. Aterrissamos em Lisboa no dia 25 de setembro. De lá, ao fabuloso Quinta da Marinha, hotel oficial da prova. Apenas pisamos no lobby, as bicicletas de Javier Gómez Noya impactavam ao fundo, as máquinas da máquina. Sim, a lenda espanhola do triathlon tinha confirmado sua presença em Cascais poucos dias antes, depois de participar do Mundial de 70.3 em Nice, na França. Sua ideia era garantir a classificação ao Mundial do ano que vem, em Taupo, na Nova Zelândia.

Cascais era mais linda do que nas fotos, o clima era perfeito e, se fosse pouco, Paulo Figueiredo, diretor do hotel e respeitável triatleta amador (já esteve em Kona) nos mimou com um quarto fantástico, de frente ao campo de golfe, e um kit de boas-vindas digno de um atleta de elite. No meio, um lago preparado para que os participantes do 70.3 Cascais pudessem nadar um pouco antes do grande dia. Pequenos gestos que valem muito.

Além de competir e cobrir a prova para a O2, tínhamos que aproveitar o momento e, para isso, a secretaria de turismo de Cascais nos ofereceu o melhor guia do lugar, André Rei, o carisma e o conhecimento em pessoa. Com ele, passeamos por Sintra, um paraíso medieval localizado ao pé da serra, a 20 minutos de Cascais. Ali conhecemos o Palácio de Monserrate, um extraordinário palácio com arquitetura árabe e um jardim botânico com espécies exóticas e uma vista de outro planeta.

Também percorremos o lindo centro de Cascais, uma cidade que serviu de retiro para a realeza e que hoje parece uma cidadezinha de contos, com o Atlântico sempre ao fundo, suas construções típicas e moradores bastante gentis. Além, claro, da excelente gastronomia local.

Tirando um irresistível polvo de um almoço, tentamos evitar a enorme oferta de saborosíssimos pratos locais até o momento da largada. Depois de uma retirada de kit rápida e prática no centro, uma caminhada veloz nos levou ao hipódromo da cidade, onde seria realizado o check-in das bicicletas.

Uma última passada no supermercado, pasta party de luxo no Quinta da Marinha (resistimos bem ao vinho) e o curto e nervoso repouso do guerreiro antes do grande dia.

O sol, como não podia ser de outra forma (Cascais tem 3.000 horas de sol por ano) apareceu, e junto com ele uma pequena ansiedade. Tudo sob controle. Chegamos com bastante antecedência ao hipódromo, onde checamos os últimos itens da bicicleta e, com tudo pronto, seguimos para a Fortaleza da Cidadela, a baía mais linda de Portugal, onde mais de 3 mil participantes se jogariam na água (fria, mas não gelada) para ir em busca de seus sonhos.

Antes de partir, provamos a temperatura do mar com umas poucas braçadas. Em seguida, voltamos à praia para esperar a largada. Durante os minutos prévios, fomos fazendo amigos, de Sevilha, Medelim, México. Não nos aguentávamos mais, e tínhamos algo em comum, o brilho nos olhos e uma necessidade desesperante de colocar em prática o que nos custou bastante em um circuito que prometia ser maravilhoso.

Plap, plap, plap… uma braçada atrás da outra e, apesar de um pequeno erro na navegação por ter o sol bem de frente, conseguimos sair da T1 com boas sensações. O clássico e quilométrico tapete vermelho de Cascais nos levou, entre a torcida de milhares de pessoas de várias parte do mundo, até as nossas bicicletas que esperavam debaixo do calor matinal.

Sobre o circuito de ciclismo, já tinham alertado que a segunda metade do trajeto de 90 km seria duro. Isso nos indicava que poderíamos acelerar na primeira parte, mas sem “queimar as pernas”, já que elas seriam necessárias depois. De Cascais até Algés. De lá até Alcântara, plano e firme. Ao ingressar no mítico Autódromo de Estoril, onde Ayrton Senna conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1, deu vontade de aplaudir aquela mistura de beleza com mística, mas não teria sido um movimento inteligente tirar as mãos do guidão.

As subidas nos exigiram muito entre a Lagoa Azul e Arneiro, mas chegamos vivos ao topo. A partir deste ponto, uma descida maravilhosa até a Praia do Guincho, os últimos quilômetros antes de chegar até a T2. Lá, senti uma sensação inexplicável de não querer descer da bicicleta, de não querer terminar de flutuar por esses lugares tão fantásticos.

Mas tivemos que deixar a bicicleta. Olhamos o tempo, nada veloz, mas o que já era de se esperar tendo em visto o trajeto. Chegou o momento de comer algo, colocar o tênis e correr. Outra vez, partindo do centro de Cascais, onde milhares de pessoas, conhecidas e desconhecidas, torciam por nós, chamando-nos pelo nome estampado na camiseta. Seriam duas voltas, sempre ao lado do Oceano Atlântico, de Cascais a São Pedro do Estoril, onde estava o retorno.

O ritmo foi consistente e, mesmo com o cansaço típico de uma prova deste tipo e com um calor que começou a apertar depois do meio-dia, o sentimento era sempre o mesmo: “quero chegar, quero minha medalha, mas não quero terminar”, eu repetia. Era como uma voz inconsciente.

As pernas estavam pedindo uma trégua, a cabeça já tinha dado sinais de que o melhor seria sentar na praia e tomar uma cerveja, mas a alma de um esforçado triatleta amador que realmente desfruta do que faz às vezes se torna bastante teimosa.

Entre esponjas umedecidas, isotônicos, e tapinhas nas costas, entramos na reta final onde os olhos se encheram de lágrimas para soltá-las minutos depois, já em uma tenda de suprimentos e com a medalha na mão. Não foi um choro, nem foi tão emotivo.

Foi uma forma de valorizar o caminho até esse dia e o privilégio de viver esse tipo de oportunidade. Foi mais um agradecimento ao universo que nos deixou ser parte de uma festa que, em 2020, parece que será ainda melhor… se é que isso é possível.

 

Federico Cornali, editor do Atletas.info e P.O. da Norte Marketing Esportivo, viajou a convite de Visit Cascais, com apoio da TAP e Join Sports

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