
Vilão ou não? Como o colesterol age no seu corpo
Geralmente, a palavra “colesterol” vem associada a uma série de fatores negativos, como obesidade, riscos à saúde e problemas cardíacos.
Embora parte dessa fama seja verdadeira, o colesterol nem sempre é o vilão que você imagina. Isso porque há dois tipos de colesterol: o bom e o ruim.
Outro erro é imaginar que o colesterol provém apenas de comidas gordurosas e prejudiciais à saúde.
Na verdade, o colesterol, além de ser produzido no nosso próprio corpo, é um tipo de gordura essencial para o bom funcionamento do organismo.
O motivo é que ele auxilia na produção de cortisol e desempenha função importante na regeneração das células.
Chamado de HDL (em inglês, high density lipoproteins), o colesterol bom junta o colesterol ruim que está presente nos vasos sanguíneos para eliminá-lo pelo fígado.
Já o colesterol ruim (e mais famoso) é o LDL (low density lipoprotein). Os problemas costumam surgir com o excesso de LDL no corpo.
O acúmulo de colesterol ruim provoca a formação de placas de gordura, que entopem vasos sanguíneos e artérias.
Essa obstrução nos vasos impede a passagem do oxigênio e dos nutrientes, levando a casos de infarto e derrame, entre outros problemas.
E como ficar longe dos problemas trazidos pelo LDL? Uma das possíveis saídas é praticar esportes.
“A atividade física ajuda a conseguir um HDL muito bom. Quando as pessoas são sedentárias e obesas, o HDL cai e o LDL sobe. A partir do momento em que elas ficam metabolicamente estáveis, há a tendência do HDL subir”, afirma Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Universidade de São Paulo (USP).
Excesso de peso, sedentarismo e má alimentação representam um atalho para elevar as taxas de colesterol – e, claro, para sofrer os danos decorrentes desse problema.
Colesterol ruim reina entre os brasileiros
A má alimentação e o sedentarismo estão castigando a população brasileira e aumentando os índices do colesterol ruim.
Uma pesquisa feita em 2018 pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) mostrou que os níveis elevados de colesterol atingem cerca de 40% da população. 850 pessoas foram consultadas durante a realização da pesquisa.
A faixa de idade mais crítica para a manifestação dos problemas decorrentes do colesterol vai dos 55 aos 64 anos.
Os níveis de colesterol são mais frequentes entre as mulheres (25,9%) do que entre os homens (18,8%).
Se os brasileiros administrassem diminuíssem o LDL em seus organismos, o número de ataques cardíacos cairia 57%.
Problema silencioso
De acordo com Maria Fernanda Barca, o xantoma, uma espécie de tumor benigno de pele, é uma manifestação aparente de algum distúrbio no metabolismo de lipídios, principalmente do colesterol.
São pequenas bolinhas amareladas que costumam surgir na região das pálpebras.
Em outros casos, o problema é mais silencioso, fazendo com que as pessoas só percebam a gravidade com dores no peito, falta de ar, palpitações e fadiga.

De olho nos níveis de colesterol ruim
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou as Diretrizes de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, manual que agrupa sugestões para controlar o colesterol. A má notícia para os brasileiros é que os índices ficaram ainda mais rígidos. Veja:
LDL
Versão atual
- Pessoas com risco baixo: abaixo de 130 mg/dl
- Pessoas com risco intermediário: abaixo de 100 mg/dl
- Pessoas com risco alto: abaixo de 70 mg/dl
- Pessoas com risco muito alto: abaixo de 50 mg/dl
Versão antiga
- Ótimo: abaixo de 100 mg/dl
- Desejável: entre 100 e 129 mg/dl
- Limítrofe: entre 130 e 159 mg/dl
- Alto: entre 160 e 189 mg/dl
- Muito alto: acima de 190 mg/dl
- Pessoas com risco alto: abaixo de 70 mg/dl
- Pessoas com risco intermediário: abaixo de 100 mg/dl
Colesterol total
Versão atual
- Desejável: abaixo de 190 mg/dl
Versão antiga
- Desejável: abaixo de 200 mg/dl
- Limítrofe: entre 200 e 239 mg/dl
- Alto: maior que 240 mg/dl
HDL
Versão atual
- Desejável: acima de 40 mg/dl
Versão antiga
- Desejável: acima de 60 mg/dl
- Baixo: abaixo de 40 mg/dl