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Não basta ser mãe, tem que voar

Que delícia revisitar essa que foi uma das melhores experiências da minha vida de corredora: Chicago 2019. Na verdade, tudo começou nos 42k de Floripa, em junho de 2019, quando fui a trabalho, como coordenadora de marketing da Norte, e acabei — meio “sem querer querendo” — correndo a maratona. Aconteceu que aquela energia de expo e retirada de kit me contagiou tanto que meu espírito maratonista, que estava adormecido desde 2017, quando engravidei, acordou para a vida!

Voltando um pouco mais no tempo: retomei a corrida uns dois meses depois que meu bebê nasceu, em fevereiro de 2018, mas não engatei em longas distâncias. Como não corri na gravidez, apenas fiz fortalecimento, achei mais seguro evoluir nas distâncias mais curtas para então pensar nas longas. Confesso que em alguns momentos até achei que nunca mais fosse correr maratona, mas alguma coisa aconteceu naquele 14 de junho que me deu a certeza de que tinha que correr a prova — que completei em cravadas 3h30.

Bom, essa decisão mudou tudo e uma semana depois da prova recebi um convite da Nike para fazer parte do Zoom Squad, um grupo de mulheres cuja missão principal era fomentar o esporte e a performance entre as amadoras. Claro que, além disso, tínhamos também o objetivo de usar, avaliar e endossar os produtos da marca — nada mal, né?

Enfim, a chave de ouro desses quatro meses de projetos foi um running camp de dez dias em Boulder, Colorado, e por fim, a Maratona de Chicago 2019. Boulder é um lugar onde os maiores atletas do mundo vão para treinar, pois se acredita que há um ganho de performance quando se treina em altitude. Foram quatro meses de treinos intensos, conciliando família, trabalho e todas as expectativas criadas em torno do projeto.

Tenho 36 anos e já me conheço muito bem, por isso a parceria e a paciência do treinador Wanderlei Oliveira também foram imprescindíveis. Não estava disposta a desequilibrar as outras áreas da vida por causa da corrida, muito menos me machucar ou viver cansada — pois ainda tinha que trabalhar fora, cuidar de casa, marido, crianças e, além de tudo, amamentar.

Só que sabia que, sem comprometimento e disciplina para cumprir o alto volume, a única coisa que eu faria nesta maratona seria passar vergonha. Então, além de confiar no processo, acreditei muito no meu treinador, que sabia bem aonde eu queria chegar e o preço que estava disposta a pagar, que não era tão alto quanto o que costuma ser pago pela performance. Precisamos juntos encontrar um equilíbrio. Meu marido, que também ama esporte, me apoiou do começo ao fim e isso foi essencial para que minhas expectativas fossem superadas.

O camp foi incrível, vivemos uma experiência única e diferente de tudo que já vi. Chicago foi minha primeira maratona em low carb e acredito que muito do que fiz lá foi por conta da mudança na alimentação. Já tinha corrido a prova em 2014 (3h23) e desta vez fui com um objetivo maior, mas sem um número exato na cabeça.

Assim que me posicionei na linha de largada já pude sentir que aquele era o dia. Mesmo otimista, sou uma pessoa que não curte muito arriscar, então fui sentindo e crescendo ao longo do percurso. Me sentia forte e concentrada, em nenhum momento tive aquelas “viagens” loucas que temos no meio da maratona, em que parece que saímos da consciência (costumo comparar com a “viagem” do parto) e precisamos retornar para continuar. Apenas fui em frente, controlando quilômetro a quilômetro no relógio — afinal, fui para lá com o objetivo de correr minha melhor maratona, e não podia voltar pra casa sem isso. Não pensei em nada. Nem na jornada até ali, nem no que acontecia em volta; me concentrei apenas na minha corrida e no tempo.

Chegando perto do km 30 (salve para o Marcos Paulo Reis, que estava lá…), abri uma janelinha para o pensamento e comecei a planejar o que faria dali em diante. Resolvi não fazer nada, apenas continuar com o que estava dando certo. Não existia paredão, nem lactato, nem nada que parasse naquele momento. É muito louco quando a gente corre em low carb, parece que existe uma energia infinita (que obviamente não é) e que nunca vamos cansar. Mas fazer força cansa, sim, e lá no finalzinho, perto do km 38/39, comecei a ficar meio de saco cheio e sofri bastante para apertar o ritmo, já que ventava muito.

Aprendi no meu parto que fazer ainda mais força quando está doendo é o que nos leva mais rápido ao final, e foi isso que fiz em Chicago. Acabei a prova em inimagináveis 3h04 e precisei de algum tempo para assimilar o que tinha feito. Por mais que não tivesse um plano, calculei que faria perto das 3h15 ou, sendo otimista, 3h10, mas nunca 3h04. Sinto que, depois de ser mãe pela segunda vez, minha relação com a corrida mudou e com certeza foi isso que me levou a escrever uma história tão legal!

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