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Da tribo das “mulheres-homens” para o mundo: conheça Jepkosgei, a recordista dos 21 km

Foto: Divulgação

Joyciline Jepkosgei é a mulher a ser batida no atletismo em 2017. Aos 23 anos, a queniana vem deixando as adversárias para trás e colecionando recordes. Em abril, em Praga, ela conseguiu o primeiro feito da temporada: tornou-se a primeira mulher a correr 21 km abaixo de 1h05min. Cinco meses depois de registrar 1h04min52s na meia-maratona, ela voltou à capital da República Tcheca para conseguir novamente o que nenhuma outra mulher havia alcançado até então: concluir os 10 km em menos de 30 minutos (29min43s). No domingo, mostrou mais uma vez que não tem limites e marcou 1h04min51s na Meia-Maratona de Valência, na Espanha, quebrando seu próprio recorde nos 21 km.

Se não fosse seu casamento com o fundista Nicholas Koech, que também atua como seu treinador, e o nascimento do único filho do casal, Brandon, de seis anos, o destino de Jepkosgei poderia ser diferente. Ela pertence à tribo nandi, conhecida no Quênia como o clã das “mulheres-homens”. Nos mandamentos do grupo, quando uma mulher não pode ter filhos, é obrigada a se casar com outra mulher e assumir o papel de homem da casa.

A recordista nasceu no vale do Rift, no oeste do Quênia, de onde também saíram Robert Cheruiyot, Bernard Lagat, Kipchoge Keino, Moses Tanui e outros corredores de elite. Atualmente, Jepkosgei integra o quadro das Forças Armadas do Quênia – filiação simbólica que faz com que o governo lhe pague um salário. Apesar das marcas expressivas e do apoio das autoridades, ela nunca participou das provas mais concorridas do atletismo mundial. 

 

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A tribo nandi pertence à etnia kalenji, que corresponde a 12% da população do Quênia, estimada em 44 milhões de pessoas. Os representantes do povo kalenji têm o biotipo perfeito para a corrida, já que são magros e leves. Joyciline Jepkosgei, por exemplo, tem 1,56m e apenas 52 quilos. No vale do Rift, é difícil encontrar grupos de crianças jogando futebol. A paixão nacional, desde o berço, é o atletismo.

Em março, na semana com treinamentos mais exigentes antes do primeiro recorde nos 21 km, Jepkosgei chegou a correr 140 km em seis dias. Um dos segredos do fôlego da queniana passa pelo local onde é feita sua preparação física: Iten, cidade de pouco mais de 40 mil habitantes a 2.400 metros de altitude. Na maior parte do tempo, ela treina em um grupo composto por quatro homens e duas mulheres, além de dois “coelhos” dedicados exclusivamente a ela.

A rotina de treinos inclui corridas pelas montanhas, tiros de até 3 km e sessões regenerativas com velocidade de atleta amador. O estafe da recordista recomenda, em situações de estresse físico, que ela rode em um pace de 5 min/km. Tirar o pé do acelerador em alguns momentos é uma prática comum nas planilhas dos atletas de ponta do Quênia.

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