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Nova etiqueta da corrida durante e pós-pandemia de coronavírus

A corrida de rua, conhecida mundialmente por suas provas com milhares de pessoas, passará por mudanças importantes devido à pandemia de coronavírus. E essas alterações não ficarão restritas apenas aos eventos. Alguns hábitos serão considerados o “novo normal”, criando provavelmente um novo código de conduta de atletas até em sua rotina de treinamento.

Hábitos ou ações que antes até poderiam ser mal vistos por alguns atletas podem fazer parte da nova etiqueta da corrida. Mas alguns comportamentos, que muitos corredores insistem em adotar, seguem reprováveis e podem se tornar ainda mais danosos.

Nova etiqueta da corrida

Proteção adequada

Neste novo cenário, a prática da corrida segura passa a ter um significado diferente de antes para evitar o contágio por coronavirus. O uso da máscara e manter o distanciamento entre os atletas são as principais recomendações.

“Ir ao treino de máscara e tentar usá-la durante todo o treinamento é importante, sem esquecer que é necessário levar uma troca, pois caso sejam molhadas, perdem seu efeito protetor”, explica o médico do esporte Dr. Páblius Staduto. “Além da máscara e do distanciamento de aproximadamente 10 metros entre os praticantes, o que até o momento é a distância segura vigente, é necessário carregar o frasco de álcool gel, pois não será possível lavar as mãos durante o treinamento”, completa.

Treino individual

Conversar com outros atletas após o treino ou cumprimentá-los durante a corrida era algo comum entre os atletas, mas agora a recomendação é acenar ou sorrir de longe a fim de manter o distanciamento seguro para o esporte e evitar aglomerações.

“Certamente, até a gente encontrar a vacina ou um tratamento eficaz para o Covid-19, precisaremos evitar tudo que promova aglomeração. Será necessário buscar alternativas para esportes em grupo que ofereçam segurança e distanciamento social”, explica Ingrid Cotta, infectologista do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Desfrutar de suportes como alimentação, hidratação, alongamentos e massagens, que as assessorias de corrida costumam oferecer para seus alunos, também precisará ser evitado, pois há o risco de contaminação por meio do compartilhamento de objetos ou equipamentos.

“A hidratação e o uso de outros espaços, durante aquelas pausas entre os treinos que os corredores costumam fazer, também precisará ser cautelosa. A ideia, daqui para frente, é que cada um leve sua hidratação e tome cuidado ao compartilhar água, gel ou outros carboidratos nos treinos”, explica Rodrigo Lobo, fundador da Lobo Assessoria Esportiva.

Corridas Virtuais

As corridas virtuais, em que o atleta se inscreve pelo site, recebe o kit em casa, corre a distância da prova onde e quando quiser e depois recebe o certificado, tem ganhado força à medida em que não se sabe ao certo quando será possível correr em grupo novamente.

Mas, para aqueles corredores que ainda não estão acostumados a correr sozinhos, as corridas virtuais, segundo o treinador Rodrigo Lobo, são ideais, principalmente, durante a pandemia.

“Correr em grupo é legal, mas correr sozinho é importante para o corredor aprender a correr e competir com ele mesmo e não necessariamente contra os outros”, explica. “Assim você terá uma boa oportunidade para se conhecer mais, conhecer melhor a sua mecânica e ainda trabalhar sua concentração”, completa.

Entre as opções disponíveis para o atleta está a Freedom Race, corrida virtual que tem parte de sua renda revertida para a ONG Gerando Falcões.

Mudança nos horários e locais  

Escolher bem os horários e buscar locais isolados para correr é outra ação que ganha ainda mais importância na situação. Segundo o profissional de educação física Octavio Costa, por estarmos no inverno é considerável escolher horários com temperaturas amenas para correr.

“Como correr em grupo e participar de provas aos domingos pela manhã está temporariamente proibido ou até mesmo ter a companhia de seus amigos no treino longo do final de semana, é importante escolher lugares abertos e isolados para correr para evitar o contato com outros corredores”, explica. “Além disso, por conta das temperaturas mais agradáveis durante o inverno, o corredor poderá optar por treinos em horários diferentes e não tão cedo, evitando a exposição ao frio e o risco de contrair resfriados”, completa.

Treinamentos indoor 

Por conta da necessidade do isolamento social, do fechamento de diversas academias e da recomendação, durante um tempo, de evitar correr na rua, o treinamento indoor acabou ganhando destaque. Segundo o treinador e atleta Rodrigo Lobo, esta sempre foi uma boa alternativa para os corredores, mas nunca tão bem vista por todos.

“As pessoas sempre foram resistentes com o treinamento indoor, sempre diziam que o corredor tem que ir para rua, mas agora, acredito que muita gente precisou aprender na marra, pois a única alternativa era treinar em casa”, explica. “Além disso, muitos corredores apostaram nos exercícios de força ou funcionais, pois na fase inicial da quarentena não era possível correr, então foi necessário aprender outras modalidades como bike, toga e cross training que até poderão agregar aos atletas futuramente”, completa.

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Hábitos que não mudaram 

Descarte de lixo, cusparadas, tosses e espirros 

Apesar de já ser considerada uma ação reprovável na etiqueta de corrida antes da pandemia, jogar lixo no chão em vez de descartá-lo em seu devido lugar continua sendo inadequado, principalmente por conta do risco iminente de contaminação por covid-19.

Cusparadas, especialmente, sem observar se um corredor não vem logo atrás de você, tornam-se ainda mais perigosas. Por isso é importante evitá-las. Ao tossir ou espirrar é necessário utilizar um lenço de papel ou o canto interno do cotovelo para evitar a disseminação de gotículas.

Fique atento ao seu redor

Estar ligado no que acontece ao redor é uma ação importante para que o corredor permaneça seguro de diversas formas, principalmente, para aqueles que gostam de escolher uma playlist, colocar o fone de ouvido e sair para correr.

Não se esqueça de sempre estar atento a sua volta, olhar para atravessar as ruas e tomar cuidado com carros e até com outras pessoas que possam cruzar seu caminho.

Fontes:

Rodrigo Lobo, bacharel em Educação Física formado pela USP e sócio da Lobo Assessoria Esportiva. 

Ingrid Cotta, médica com especialização em infectologia formada pela UNI-RIO e Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Atua como infectologista no hospital Emílio Ribas. 

Páblius Staduto Braga, médico do esporte e gestor do Centro de Medicina Especializada do Hospital Nove de Julho. 

Octavio Costa, licenciado e bacharelado em Educação Física e formado pela Universidade Bandeirante de São Paulo.

Marina Vasconsellos, psicóloga, psicodramatista e terapeuta formada pela PUC-SP.

 

 

 

 

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