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HIIT e esportes de endurance. Por que esse método de treinamento é tão poderoso

Ahhh, o HIIT… Muito utilizado nas academias, nas assessorias esportivas, top trend nas redes sociais, quase uma moda… Mas será que esse método de treinamento é bom mesmo? Será que funciona? Quais os benefícios? Como se programa uma sessão de treino HIIT?

Pois bem, esse é o nosso objetivo. Explicar o “high intensity interval training” ou simplesmente HIIT, tim-tim por tim-tim. O primeiro passo é classificar as diferenças que podem existir dentro deste método de treinamento tão popular.

Tipos de treino HIIT

HIIT anaeróbio

Ativa altas taxas do metabolismo anaeróbio, tem intensidade variando entre 130 a 160% do VO2max, e estímulos de 10 a 15 segundos, com intervalos de recuperação entre 15 e 40 segundos. Nesse tipo treinamento, o atleta deve tentar realizar o maior número de repetições possíveis durante a sessão de treino.

HIIT aeróbio

É aquele em que há predominância, ou maior ativação, do metabolismo aeróbio. Por ter essa característica é o mais utilizado por corredores de longa distância e é justamente o que mais nos interessa ao longo desse texto. Mas ele mesmo tem algumas subdivisões.

HIIT de curta duração

Os estímulos são de até 1 minuto e com intensidade entre 100 a 112% do VO2max. Esse tipo de treinamento contribui para a melhora do VO2max e da taxa de remoção do lactato sanguíneo.

HIIT de média duração

A duração dos estímulos varia de 1 a 8 minutos, e em intensidades de 90 a 100% do VO2max. É o mais eficiente no aumento do VO2max e também contribui para a melhora do desempenho de corredores de meio-fundo e fundo.

Mas como para todo bônus existe um ônus, esse é aquele tipo de treino que dói até a ponta do cabelo, pois os estímulos são consideravelmente longos e de alta intensidade.

HIIT de longa duração

Também conhecido por Tempo Run, caracteriza-se por séries maiores que 8 minutos. A intensidade dos estímulos situa-se entre o “máximo estado estável do lactato” e o VO2max.

Devido a tais características, esse tipo de HIIT é muito utilizado por corredores de longa distância altamente treinados pois, diferentemente do que parece, também é um treino muito extenuante.

Agora que conhecemos os tipos de HIIT existentes, precisamos saber qual utilizar. E para isso precisamos considerar diversos pontos.

Como escolher o treino HIIT correto

  1. Duração e tipo: existem três tipos de HIIT e para cada um existe uma faixa de intensidade a ser respeitada (mínima e máxima);
  2. Nível de treinamento/experiência do atleta: quanto mais treinado e mais experiente for o atleta, mais intenso pode ser o HIIT;
  3. Prova-alvo do atleta: para cada prova (3km, 5km, 10km, 21km, 42km) existe um metabolismo determinante (do desempenho) e um predominante. Existem também variáveis fisiológicas relacionadas aos melhores desempenhos. Cabe ao treinador identificar tais fatores e escolher o tipo de HIIT mais adequado.

Mas não para por aqui, não! Se o treinamento é intervalado, é composto por intervalos de estímulos e de recuperação, correto?

Quanto aos tipos de intervalos de recuperação, temos:

  1. Pausas passivas: ficar parado, simples assim;
  2. Pausas ativas: caminhada, trote ou corrida leve.

Pensando nos benefícios fisiológicos, sessões de HIIT com pausas ativas contribuem para melhora do sistema cardiorrespiratório, aumento do VO2max, estímulo e aceleração da taxa de remoção do lactato, o que retarda a fadiga do atleta.

Opa! Então nada de ficar parado entre um estímulo e outro, galera! O negócio é se mexer!

Parece que esse método de treinamento contribui muito para a melhora do VO2max, não é? Sim, mesmo porque durante uma sessão de HIIT todas as variáveis cardiorrespiratórias são exigidas ao máximo!

Porém, também é importante que saibamos quais os principais benefícios que o HIIT promove.

Principais benefícios do HIIT

  1. Melhora a velocidade do VO2max;
  2. Melhora a economia de corrida (corredores) e a eficiência (ciclistas), que é a diminuição do consumo de oxigênio em exercícios submáximos;
  3. Acelera a recuperação cardíaca em um minuto;
  4. Melhora os limiares ventilatórios;
  5. Melhora a potência pico (ciclistas);
  6. “Ensina” o corpo a utilizar mais lipídios (gorduras) como fonte de energia poupando o glicogênio muscular.

E sabe o que é melhor disso tudo? É que essas mudanças são observadas tanto em atletas de elite como em atletas amadores; em indivíduos fisicamente ativos e em sedentários também. Então não é à toa que só se fala em HIIT pra lá, HIIT pra cá!

Bom, já conhecemos os diversos tipos de HIIT, duração e intensidade dos estímulos, tipos de intervalos de recuperação, principais benefícios, mas…como calcular? Como individualizar uma sessão de HIIT? Essa é a cereja do bolo! Lápis e papel na mão, galera, que vamos à “receita”.

Como individualizar o HIIT

Aferir a velocidade do VO2max

O atleta pode realizar um teste ergoespirométrico de esforço máximo (teste de laboratório) ou um teste de campo de 6 minutos ou uma milha contrarrelógio. No primeiro caso, de posse do resultado, é possível identificar a velocidade do VO2max.

Já no teste de campo, basta que o atleta utilize um smartwatch com GPS para obtermos a velocidade média durante os 6 minutos ou durante uma milha; essa será considerada a velocidade do VO2max.

Refinar o teste

Peça para o atleta correr o maior tempo possível em uma esteira ajustada na velocidade do VO2max e com 1% de inclinação. Anote o tempo máximo que ele conseguiu correr.

Individualizar o tempo de estímulo e o tempo de recuperação

A duração de cada estímulo e de cada recuperação do HIIT será 60% do tempo que o atleta conseguiu correr na esteira na velocidade do VO2max.

Individualizar a intensidade do estímulo e a intensidade da recuperação

A intensidade de cada estímulo do HIIT poderá variar entre 75% a 100% da velocidade do VO2max do atleta, e a intensidade da recuperação (pausa ativa) será 50% dessa mesma velocidade.

Individualizar o número de séries

O atleta deverá realizar um mínimo de cinco séries intervaladas (estímulo e recuperação) para que o HIIT realmente promova melhoras fisiológicas e de desempenho. Fica a critério do treinador determinar essa quantidade de acordo com o nível de treinamento do atleta.

Vamos então a um exemplo prático. Nosso atleta apresentou velocidade de VO2max de 13km/h, conseguiu correr na esteira por 7 minutos nessa velocidade, e é um atleta bem treinado e experiente. Logo, vamos ter:

  • Duração de cada estímulo: 60% de 7 minutos = 4 min12s
  • Duração de cada intervalo de recuperação: 4 min12s
  • Intensidade de cada estímulo: 100% de 13km/h = 13km/h
  • Intensidade de cada intervalo de recuperação: 50% de 13km/h = 6,5km/h
  • Número de séries intervaladas: seis

Sessão de treino HIIT

• Aquecimento

• Parte principal (HIIT)
6x(4min12s a 13km/h com intervalos de recuperação de 4min12s a 6,5km/h)

• Volta à calma

Definitivamente, o treino HIIT é capaz de promover melhoras significativas no desempenho de esportes de endurance (triathlon, corrida, ciclismo, remo, entre outros), mas desde que seja corretamente individualizado e aplicado.

Porém, não esperem que tais melhoras apareçam antes de seis a oito semanas de treinamento consistente.

E agora que vocês já sabem tudo sobre high intensity interval training, é só planejar as sessões de treino, suar a camisa, e ver os resultados aparecerem.

Bons treinos!

Rogério Carvalho

Mestre em estudos do esporte pela EEFE-USP, especialista em treinamento desportivo, treinador certificado pela Ironman University e Head Coach da Endurance Sports Coaching Brasil. Também é triatleta desde 1993 - competiu em todas as distâncias: Ironman (inclusive Porto Seguro 2000), Ironman 70.3, olímpico e short triathlons.

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Rogério Carvalho
Tags: Poderoso

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